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Clássicos: terror, policial e drama

março 17, 2011

Esta noite encarnarei no teu cadáver, de José Mojica Marins

junho 27, 2010

Dia 3 de julho, às 18h (novo horário), a sessão é dedicada ao Zé do Caixão no Benedita Cineclube.

Filme seminal da obra de José Mojica Marins, Esta noite encarnarei no teu cadáver é o segundo longa-metragem da saga de seu mítico personagem Zé do Caixão. A trilogia teve início em1964 com À meia noite levarei sua alma e encerrou-se 44 anos depois como filme Encarnação do demônio. Legítimo exemplar do gênero horror, vertente raríssima na cinematografia brasileira, o filme retoma o Zé do Caixão implacável na busca da mulher superior que possa gerar seu filho perfeito. Nessa trajetória, não tolerará qualquer obstáculo que o impeça de atingir seu objetivo maior: a “continuidade de seu sangue”. Mojica Marins mais uma vez demonstra pleno domínio da linguagem cinematográfica, apresentando neste filme alguns dos mais férteis momentos de invenção do cinema brasileiro, como a antológica cena do inferno gelado, que surge surpreendentemente colorida em meio ao preto-e-branco do restante do filme.

Sinopse

O funerário Jozefel Zanatas (Zé do Caixão) continua sua procura pela “Mulher Superior”, com a qual espera gerar o “Filho Perfeito”, ser que esteja acima dos seres humanos normais e que perpetue seu sangue. Em sua procura, tortura e mata as mulheres que julga inferiores, bem como qualquer um que se interponha em seu caminho.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: José Mojica Marins (Zé do Caixão)
Elenco: José Mojica Marins, Roque Rodrigues, Nádia Tell, William Morgan, Tina Wohlers, Nivaldo de Lima, Tânia Mendonça, Osvaldo de Souza, Arlete Brazolin, e Mina Monte
Empresa Produtora: Ibéria Filmes
Produção Executiva: Augusto Pereira de Cervantes
Direção de Produção: Antônio Fracari
Direção Fotografia: Giorgio Attili
Fotografia de Cena Autor: Elias Litaldi
Montagem/Edição: Luiz Elias
Direção de Arte e Cenografia: José Vedovato

Crítica

IMAGENS QUE FICAM: JOSÉ MOJICA E O CINEMA FANTÁSTICO, por Kleber Mendonça

Há uma noção divulgada popularmente de que a obra de José Mojica Marins atende pela palavra trash, no sentido de “mal-feito” e de “mau-gosto”. Os filmes do mito Zé do Caixão, no entanto, superam facilmente esse tipo de interpretação para ocupar, de fato, um lugar especial no cinema de gênero “horror”. Seus filmes são uma anomalia e tanto na produção mundial, e mais ainda na brasileira, terreno notoriamente infértil para esse tipo de cinema.
Começando precisamente onde À meia noite levarei sua alma(1964) terminou, Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967) revela-se um dos mais sólidos exercícios em cinema, seja na já rica obra de Mojica Marins, seja na filmografia completa do cinema brasileiro.
Alguns poderão mencionar atuações mecânicas e recursos limitados de produção, critérios questionáveis que podem datar um filme que extrapola a própria época em que foi produzido, mas que aponta para uma noção atemporal de cinema. Os mesmos poderão concordar que estamos diante de uma coleção de imagens potentes que parecem se instalar no espectador, talvez o grande feito do cinema de horror, quem sabe do cinema como um todo. A mistura cultural que faz do Brasil terra árida para o gênero fantástico parece ganhar em Esta noite encarnarei no teu cadáver um ato de vingança desse cineasta visionário.
O estilo de Mojica, que parece estar filmando seus pesadelos pessoais e compartilhando-os conosco, ganha nessas imagens uma interpretação para a simples história do contraditório Zé do Caixão, assassino sádico e cético que odeia a raça humana – “mesquinha e sanguinária” –, mas que é um profundo admirador das crianças, salvo pelo fato de que um
dia crescerão.
Também peculiar é a sua relação com as mulheres, pois busca uma, em especial, que possa dar continuidade à sua herança. Curiosamente, a escolhida passa não apenas a sensação de que será a perfeita fêmea reprodutora, mas também uma companheira com quem ele poderá compartilhar sua visão anormal de mundo, um pouco como alguém que será capaz de entender o artista e sua obra. Para as outras mulheres, Zé lhes reserva aranhas e cobras, com algumas gotas de ácido concentrado no rosto como bônus.
Filmando de forma a sempre deixar claro o tamanho do seu ego, a presença de Mojica em seus filmes (incluindo o recente Encarnação do demônio, a sequência deste) é magnética, um Marquês de Sade muito brasileiro, carismático, que gera desconforto isoladamente, ou por acúmulo de barbaridades.
De qualquer forma, esse acúmulo não acrescentaria muita coisa se não percebêssemos uma visão singular criando tudo, algo comprovado por uma das sequências mais interessantes do cinema brasileiro, quando o filme abandona o preto-e-branco para chegar às cores de um inferno que não é quente, mas glacial. É uma sequência que eleva ainda mais o nível geral do filme, composto por ideias muito bem articuladas por Mojica Marins a partir de uma obra de qualidades raras no Brasil: o entretenimento autoral.

Fonte: programadora brasil

O Benedita Cineclube acontece no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG.
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER – sáb, 3/6, 18h – classificação 16 anos.
Entrada gratuita.