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Castelo Rá Tim Bum, o filme!

março 23, 2010

Próxima sessão: 27/3, sempre às 4 da tarde!

CASTELO RÁ TIM BUM, O FILME, de Cao Hamburger – BRASIL-SP, 1999, ficção, 105 minutos – classificação livre.

Inspirado na série de TV que encantou gerações.

Desta vez, Nino Stradivarius (interpretado no filme por Diegho Kozievitch) deve começar escrever em seu livro de magia e dar início à sua aprendizagem como feiticeiro. Por ser um garoto diferente dos outros, ele sai em busca de amigos comuns, mas descobre que sua vida, e a de todos do castelo, está ameaçada.

Tudo começa com a chegada de Tia Losângela (Marieta Severo), a ovelha negra da família que rouba o livro de Morgana, tirando-lhe os poderes. O castelo perde a vida e os tios de Nino transformam-se em fantoches da megera. Muitas coisas acontecem e Nino se vê como o único que pode salvar seus tios do encanto da malvada Losângela.

A nova trama cria um universo mágico e envolvente. Em meio a grandiosos e belos cenários, Cao Hamburguer deu vida à história de uma peculiar família feiticeira que, com o passar dos anos, tem de enfrentar pessoas más e interesseiras como Losângela, além dos especuladores imobiliários Abobrinha (Pascoal da Conceição) e Rato (Matheus Nachtergale).

Crítica

UM BOM EXEMPLO ISOLADO, por Neusa Barbosa

Inserido numa tradição cinematográfica como a brasileira, que sempre dedicou restrito espaço aos filmes infanto-juvenis, Castelo Rá-Tim-Bum, o filme teve de inventar o próprio caminho. Pisando nas próprias pegadas, o diretor Cao Hamburger partiu da série de sucesso, criada por ele e Flávio de Souza nos anos 1990 e que igualmente marcou época, mas infelizmente não fez escola.

A inexperiência de Hamburger em longa-metragem — foi este o seu primeiro — não constituiu obstáculo para que se lançasse à produção do projeto com a ambição compatível. Dezenas de versões de um roteiro assinado por seis colaboradores — além do diretor —, seis meses de pré-produção, uma equipe de 685 artistas e técnicos e um orçamento de R$ 7,5 milhões garantiram uma estrutura narrativa e visual sólida e atraente.

A seriedade com que se tratou aspectos como escolha de atores — incluindo a ousadia de trocar o protagonista da série de TV, Cássio Scapin, por um garoto desconhecido, Diegho Kozievitch —, além de cenários, figurinos, maquiagem, bonecos, efeitos especiais, some trilha sonora, estendeu-se ao compromisso de manter a história antenada a um sentimento infantil que trafega na fascinação pela descoberta e foge do banal como o diabo da cruz.

O contraste entre a estranheza do mundo bruxo, governado por feitiços, e a suposta normalidade da realidade exterior sustentam o humor sutil, extraído de situações como o desejo inusitado do feiticeirinho Nino de estudar numa escola comum e tomar um prosaico café-com-leite.

Bebendo em referências pop como as séries de TV A família Addams e Os monstros, e antecipando a febre Harry Potter— que invadiria as livrarias e telas em escala planetária nos anos 2000 —, o enredo busca também abrasileirar essas influências. Um bom exemplo está na dupla de apatetados vilões Rato (Matheus Nachtergaele) e Dr. Abobrinha (Pascoal da Conceição), herdeiros dos comediantes das chanchadas dos anos 1940 e 1950, como Oscarito e Grande Otelo.

Ancorada na contemporaneidade, que acirra o contraste coma antiguidade dos feiticeiros, a história costura organicamente referências ao contexto urbano. Mais de uma vez enxerga-se o entorno de prédios e vias expressas de São Paulo e insinua-se a especulação imobiliária, que é a motivação da aliança entre Abobrinha e a bruxa Losângela (Marieta Severo) — uma vilã histriônica descendente direta da Carlota Joaquina, personagem que interpretou no filme iniciador da Retomada, Carlota Joaquina — Princesa do Brasil.

Sendo esta ou não sua intenção, Cao Hamburger fez o cinema anti-Xuxa e Os Trapalhões, em um exemplo que poderia pavimentar uma nova estrada para o cinema brasileiro infantil de qualidade. Entretanto, como isso custa caro, continuam a faltar produtores nacionais para projetos mais sofisticados como este.

Tal como no enredo do filme, parece que só a cada 400 anos um novo alinhamento dos planetas permite que surja no Brasil um filme infantil sem vergonha de assumir-se como tal e que respeite a inteligência desse público mirim, numeroso e quase sempre órfão de boas opções, tanto em cinema quanto na TV.

Trailer

Ficha Técnica

Direção: Cao Hamburger
Roteiro: Argumento e Roteiro Final: Cao Hamburger / Colaboradores do roteiro: Anna Muylaert, José Rubens Chassereaux, José de Carvalho, João Emanuel de Carvalho, Fernando Bonassi, Victor Navas
Elenco: Marieta Severo, Rosi Campos, Sergio Mamberti, Diegho Kozievith, Pascoal da Conceição, Mayara Constantino, Leandro Léo
Produtora: AF CINEMA E VIDEO LTA. / CESSIONARIA: POLITHEAMA E FILMES LTDA.
Produção Executiva: Van Fresnot
Direção de Produção: Caio Gullane e Fabiano Gullane
Direção de Fotografia: Marcelo Durst
Fotografia de Cena: Werington Kermes
Montagem: Michael Ruman
Direção de Arte: Clovis Bueno e Vera Hamburger
Figurino: Verônica Julian
Maquiagem e Cabelo: Fabio Namatame
Técnico de Som: Romeu Quinto
Edição de Som: Mirian Biderman
Trilha Original: André Abujamra e Lulu Camargo

Sobre a trilha:

“ÓPERA AREPÓ” com a participação de Rosi Campos s Sérgio Mamberti (de André Abujamra) “ESTRANHO, NÃO, DIFERENTE” por Karnak com a participação do elenco infantil do filme (de André Abujamra e Mauricio Pereira) “AMIGOS NORMAIS” por Karnak com a participação do elenco infantil do filme (de André Abujamra e Paulinho Moska) “MAU,FEIO,SUJO” com a participação de Zafrica Brasil (de André Abujamra) O Karnak é Bateria Kuki Stolarsky Baixo Sérgio Bartolo Guitarras Edu Cabello e André Abujamra Teclado Lulu Camargo Trumpete Marcos Bowie Sax Hugo Hori

Participação em festivais e prêmios:

·The Chicago International Childrens Film Festival, 2000,
·Associação de Críticos de Arte de São Paulo, 2000.
·Carrousel International du Film de Rimouski – Quebec, Canadá, 2001.
·Sprockets Toronto International Film Festival for children, 2000.
·I Mostra Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis, 2002.
·Grande Prêmio Cinema Brasil, Melhor Direção de Arte

Prêmios: ·The Chicago International Childrens Film Festival, 2000, Melhor Filme Internacional
·Associação de Críticos de Arte de São Paulo, 2000. Melhor Filme para Criança
·Carrousel International du Film de Rimouski – Quebec, Canadá, 2001. Melhor Filme
·Sprockets Toronto International Film Festival for children, 2000. Melhor Filme
·I Mostra Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis, 2002. Melhor Filme
·Grande Prêmio Cinema Brasil, Melhor Direção de Arte

fonte: Programadora Brasil

Houve Uma Vez Dois Verões e O Diário Aberto de R.

março 15, 2010

Os filmes da próxima sessão do Benedita Cineclube (sáb, 20/3, 16h) são Houve Uma Vez Dois Verões, e O Diário Aberto de R.

Houve Uma Vez Dois Verões é o longa-metragem de estréia de Jorge Furtado, cineasta gaúcho que além de vários curtas de destaque nos anos 80 e 90, dirigiu também O Homem Que Copiava (2003), Meu Tio Matou Um Cara (2004) e Saneamento Básico, o filme (2007).

Assista no site porta curtas o seu curta-metragem mais premiado

Ilha das Flores, Jorge Furtado, Doc/Exp, 1989, 13 min

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=647&Exib=1

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Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado

BRASIL – RS, 2002, ficção, 75 min. – classificação 12 anos

SINOPSE

Ele é um rapaz ingênuo em busca do primeiro amor. Ela está guardando dinheiro para viajar para a Austrália.

Juntos, eles vão viver uma grande paixão. Se você acredita na força do destino, no poder do amor e nas sinopses dos filmes, vai ter algumas surpresas.

Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Empresa(s) Co-produtora(s): Casa de Cinema de Porto Alegre
Produção Executiva: Luciana Tomasi e Eleonora Goulart
Direção de Produção: Marco Baioto e Débora Peters
Direção Fotografia: Alex Sernambi
Montagem/Edição: Giba Assis Brasil
Direção de Arte: Pierre Olivè
Figurino: Rô Cortinhas
Técnico de Som Direto: Cristiano Scherer
Edição Som: Cristiano Scherer
Mixagem: Luiz Adelmo
Trilha Musical: Sim
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Trilha Musical: Leo Henkin

***

Caetano Gotardo é um jovem cineasta paulista. Entre este e outros trabalhos, pode-se destacar o curta Areia, por ter sido exibido na abertura da Semana da Crítica/Festival de Cannes em 2008.

O Diário Aberto de R., de Caetano Gotardo

dir. Caetano Gotardo, BRASIL – SP, 2005, ficção, 14 min. – classificação 10 anos.

SINOPSE

Rafael dorme. Rafael espera. Rafael abraça. Rafael deita. Rafael chora.

Direção: Caetano Gotardo
Roteiro: Caetano Gotardo
Elenco: Fábio Lucindo, Marco Pigossi, Thays Alves, Gustavo Nobre, Lilian Blanc
Produção Executiva: Marco Dutra
Direção de Produção: Marco Dutra
Direção Fotografia: Chica San Martin
Fotografia de Cena: Não
Direção de Arte: Milena Durante
Figurino: Milena Durante
Técnico de Som Direto: Daniel Turini
Sound Designer: Daniel Turini
Trilha Musical: Não
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Robert Schumann Interprete: Marco Dutra

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sobre a sessão de 20/3

CRÍTICA

CORAÇÕES JOVENS E TRANQÜILOS, por Rodrigo de Oliveira

Os adolescentes no centro de Houve uma vez dois verões e O diário aberto de R. dividem uma mesma crença. E faz tanto sentido que sejam justo adolescentes, todos eles a um passo daquela experiência definitiva que torna a infância mais distante e a vida adulta tão inevitavelmente mais próxima. Não só Chico e Caio, os dois protagonistas, mas também seus diretores, Jorge Furtado e Caetano Gotardo, parecem acreditar nessa mesma coisa, e devotam seus filmes a defendê-la. Isso que só a sinceridade de quem está vivendo tudo pela primeira vez pode redimir de qualquer ridículo, em tempos tão descrentes como os atuais. Temos aqui dois filmes de amor, e que dele fazem sua profissão de fé.

A ameaça da desafeição, esse mal tão contemporâneo, não poderia passar ao largo. Ela é, em graus diferentes, a grande força-motora dos filmes. Em O diário aberto de R., estamos lidando com a distância mantida entre dois amigos colegiais, capazes de demonstrar carinho num dia, e no seguinte se tratarem com um quase repúdio. Houve uma vez dois verões é mais explícito, e planta no meio de seu romance uma figura anti-romântica por excelência, aquela que troca sonhos de felicidade por dinheiro, conseguido com uma falsa gravidez. Roza agrega ao filme valores insuspeitos nesta que parecia a história de amadurecimento de Chico através de um primeiro amor. Onde havia a lua encantadoramente fake, iluminando a primeira transa na praia, sobra a mercantilização do sentimento. A resposta a esses revezes precisa ter força igual ou maior. Aí entram esses dois diretores apaixonados: por seus personagens e pela própria idéia da resistência do sentimento.

Talvez não exista paralelo no cinema brasileiro de um filme que tenha sabido captar tão bem os humores da adolescência como Houve uma vez dois verões. Vai ver porque não capte mesmo – e sob essa idéia de se conseguir “pescar a juventude” se tenham feito tantos filmes sobre seu protótipo, cheias de clichês emocionais e gírias de almanaque. Furtado faz seu primeiro longa-metragem deixar de ser veículo e passar a ser, ele próprio, uma manifestação da juventude. Isso está expresso desde a escolha do suporte de gravação, o vídeo digital (mídia ainda menina em relação à velha película). Mais que isso, na incorporação do repertório visual dos fliperamas e pinballs, que dão o tom desse jogo de erros-e-acertos em que se transforma a jornada de Chico atrás da garota que lhe extorquiu, mas por quem não consegue evitar “gostar um monte”. Até mesmo a belíssima trilha sonora do filme parece vir dos temas desses joguinhos, dando um tratamento harmônico a sua habitual barulheira.

Tudo ali está armado para que os jovens possam acontecer enquanto tais, sem qualquer freio a seu despertar para a vida. O curta-metragem do igualmente jovem Caetano Gotardo abriga uma ambigüidade bastante curiosa neste sentido, equilibrando a experiência íntima de um diário que é, no entanto, mantido abertamente por Caio, com suas confidências sendo escritas na carteira da sala de aula, ao alcance de qualquer um. Era disso, no fundo, que os dois filmes queriam se impregnar: dessa exposição, desse peito-aberto da juventude. E assim eles se mostram, como no longo e tateante diálogo entre Chico e seu melhor amigo, logo após a primeira transa, tão comicamente honesto, ou ainda quando Caio nos revela o sonho em que ouvia finalmente de Rafael que a recíproca de sua paixão era verdadeira. O final feliz não é mais do que uma retribuição a tamanha entrega. Furtado reúne o casal romântico. Gotardo não precisa (e nem poderia) chegar a tanto. Mas crava na carteira escolar, a golpes de compasso, uma lição válida para os dois filmes: o amor permanente, profundo, que não se apaga com borracha.

* Rodrigo de Oliveira é crítico de cinema, redator e co-editor da Revista Contracampo e colunista do jornal capixaba Século Diário.

(fonte: Programadora Brasil)

O Mágico de Oz, Victor Fleming, EUA, 1939

março 10, 2010

No próximo sábado, dia 13, às 16h, O MÁGICO DE OZ  será exibido no Benedita Cineclube.

Para crianças e adultos!

Dirigido por Victor Fleming, o clássico “O Mágico de Oz” de 1939 é a mais famosa das adaptações para o cinema dos livros da série “Terra de Oz”, do norte-americano L. Frank Baum, que escreveu os primeiros 14 livros da série. Ruth Plumly Thompson, publicou os próximos 19 livros e outros 7 foram escritos por diversos autores que são denominados como os “Famosos Quarenta”, a maioria desses livros foram publicados por Reilly & Britton (posteriormente Reilly e Lee).

“The Wonderful Wizard of Oz” é o primeiro livro da série que relata as aventuras da menina Dorothy Gale, do Kansas, na fantástica Terra de Oz.

capa original do livro publicado em 1900, que deu origem ao filme "O Mágico de Oz".

SINOPSE

A garota Dorothy vive no Kansas e é levada por um tornado até a mágica Terra de Oz, onde faz amizade com um espantalho, um homem de lata e um leão covarde. Juntos, eles vão procurar o mágico que pode realizar seus desejos.

GALERIA DE CARTAZES

FICHA TÉCNICA

título original: The Wizard of Oz

gênero:Musical

duração:01 hs 41 min

ano de lançamento:1939

estúdio:Metro-Goldwyn-Mayer

distribuidora:Metro-Goldwyn-Mayer / Warner Bros.

direção: Victor Fleming

roteiro:Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar allan Woolf, baseado em livro de L. Frank Baum

produção:Mervyn LeRoy

música:Harold Arlen

fotografia:Harold Rosson

direção de arte:Cedric Gibbons

figurino:Edwin B. Willis

edição:Blanche Sewell

ELENCO

Judy Garland (Dorothy Gale)

Frank Morgan (Prof. Marvel / Mágico de Oz / Guarda de Oz / Porteiro da Cidade de Esmeraldas)

Ray Bolger (Hunk / Espantalho)

Bert Lahr (Zeke / Leão)

Jack Haley (Hickory / Homem de Lata)

Billie Burke (Glinda)

Margaret Hamilton (Srta. Gulch / Bruxa Má do Oeste)

Charley Grapewin (Tio Henry)

Pat Walshe (Nikko)

Clara Blandick (Tia Em)

Ciclo de Abertura – programação março 2010

fevereiro 25, 2010