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A MARVADA CARNE, de André Klotzel e ALMOÇO EXECUTIVO, de Marina Person e Jorge Espírito Santo

maio 25, 2010

Ótimas comédias estão no programa do próximo sábado, 29/5, 16h no Benedita Cineclube.

A Marvada Carne (1985), primeiro longa de André Klotzel, teve sua estréia no Festival de Cannes/Semana da Crítica, e foi vencedor entre outros tantos prêmios, de 9 kikitos no Festival de Gramado.

O filme é como uma homenagem ao universo da cultura caipira, vista aqui num embate com a cultura da cidade. Adaptação de uma peça teatral de Alfredo Soffredini, A Marvada Carne também recorre à mitologia brasileira ao colocar em cena figuras como o Saci e o Curupira. É considerada uma das comédias mais divertidas do moderno cinema brasileiro.

Comportamentos urbanos também estão em pauta em Almoço Executivo, curta assinado pela dupla Jorge Espírito-Santo e Marina Person (que em 2007 lançou seu primeiro longa, o documentários PERSON, sobre a obra de seu pai, o cineasta Luís Sérgio Person). O curta parte de um fato corriqueiro para realizar uma comédia de humor imprevisível.

A MARVADA CARNE, André Klotzel , SP, 1985, ficcão, 77 min

Sinopse

Nhô Quim vive lá nos cafundós em companhia do cachorro e da cabra de estimação. Aquela vidinha besta no meio do mato não dá pé e ele resolve cair no mundo e procurar a solução para duas questões que o incomodam: arranjar uma boa moça para o casório e comer a tal carne de boi, um desejo que fica ruminando sem parar dentro dele. Nas suas andanças, Nhô Quim vai dar na casa de Nhô Totó, cuja filha está em conflito com Santo Antônio, que não anda colaborando para ela arranjar um bom marido. E logo Nhô Quim descobre que o pai da moça tem um boi reservado para a ocasião do casamento da filha. Será este o momento para Nhô Quim realizar seus dois maiores desejos?

Elenco

Fernanda Torres, Adilson Barros, Dionísio Azevedo, Geny Prado, Regina Casé, Tonico e Tinoco, entre outros.

Ficha Técnica

Direção: André Klotzel

Roteiro: André Klotzel e Carlos Alberto Soffredini

Produção: Cláudio Kahns / Tatu Filmes

Música: Rogério Duprat

Fotografia: Pedro Farkas

Direção de Arte: Adrian Cooper

Figurino: Maísa Guimarães

Montagem: Alain Fresnot

Imagens, prêmios e outras informações sobre o filme: http://www.tatufilmes.com.br/portfolio/marvada/marvadaimagens.htm

ALMOÇO EXECUTIVO, Jorge Espírito-Santo e Marina Person , SP, 1996, ficção, 14min.


Sinopse

Durante um almoço em um restaurante com mesas na calçada, cinco amigos são testemunhas do tumulto que se estabelece por causa de uma vaga de estacionamento, envolvendo uma BMW e um caminhão de obra.

Elenco

Cazé Peccini, Malu Bierrenbach, Tatiana Soares, André Abujamra, Ary França, Fábio Saltini, Chris Couto, Astrid Fontenelle, Zeca Camargo, José Guilherme Campos

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Marina Person e Jorge Espírito Santo

Produção: Sara Silveira

Direção de Produção: Caio Gullane

Fotografia: Jacob Solitrenick

Direção de Arte: Billy Castilho

Montagem: Cristina Amaral

Som: Fabiano Gullane, Tide Borges, Lia Camargo

Música Original: André Abujamra



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MACUNAÍMA, de Joaquim Pedro de Andrade, BRASIL-RJ, 1969, 105 min.

maio 20, 2010

O Benedita Cineclube exibe no sábado, 22 de maio o longa-metragem Macunaíma. O filme é uma adaptação do romance de Mário de Andrade pelo cineasta Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), autor de outras obras importantes do cinema brasileiro. (http://www.imdb.com/name/nm0207029/).

Com a adaptação da rapsódia de Mário de Andrade, Macunaíma inova a estética do movimento cinemanovista ao incorporar elementos da chanchada, através da atuação de Grande Otelo, e transfigurar fatos da vida política, que invadem o relato épico das andanças de seu protagonista entre figuras da mitologia popular brasileira. Filme emblemático do final da década de 1960, Macunaíma atualiza o legado do Modernismo e estabelece a tão buscada relação do Cinema Novo com o grande público. (fonte: Programadora Brasil)

No elenco estão atores como Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Dina Sfat, Rodolfo Arena e Joana Fomm.

Sinopse

Macunaíma é a história de um anti-herói, ou “um herói sem nenhum caráter”, nascido no fundo da mata virgem. De preto vira branco e troca a mata pela cidade, onde vive incríveis aventuras, acompanhado de seus irmãos. Na cidade, segue um caminho zombeteiro, conhecendo e amando a guerrilheira Ci e enfrentando o vilão milionário, Venceslau Pietro Pietra, para reconquistar o amuleto que herdara de Ci, o muiraquitã.

Ficha Técnica

Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade – Baseado no romance de Mário de Andrade
Assistente de Direção: Carlos Alberto Prates Correia
Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Dina Sfat, Rodolfo Arena, Joana Fomm
Empresa(s) Co-produtora(s): Filmes do Serro, Grupo Filmes, Condor Filmes
Produção Executiva: K. M. Eckstein
Direção de Produção: Chris Rodrigues
Direção Fotografia: Guido Cosulich
Montagem/Edição: Eduardo Escorel e Mair Tavares
Cenografia: Anísio Medeiros
Figurino: Anísio Medeiros
Edição Som: Rivaton
Sound Designer: Juarez Dagoberto Costa e Walter Goulartx

Classificação: 12 anos

Sábado, 22/5 às 16h no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de melo Franco, 481 – Cambuquira-MG

Entrada Franca!

Cambuquira 101 anos – EM UMA TARDE DE ABRIL EM CAMBUQUIRA e ESPORTE EM MARCHA

maio 12, 2010

Hoje, 12 de maio Cambuquira faz 101 anos! A próxima sessão do Benedita Cineclube (sáb 15/5 às 16h) homenageia a cidade com trabalhos realizados por Cambuquirenses. Serão exibidos:

EM UMA TARDE DE ABRIL EM CAMBUQUIRA, 5’20” curta-metragem de Alexandre Félix.

O curta produzido em 2009, foi premiado pelo Júri Popular como Melhor Curta Experimental da MOSCA 5 – Mostra Audiovisual de Cambuquira / 2009. Desde 2006 Alexandre participa da mostra com trabalhos autorais que se destacam na programação. Em uma tarde de abril em Cambuquira é um contundente relato que propõe uma reflexão sobre a Cambuquira atual.

O ESPORTE EM MARCHA, 40′, série de edições de um cinejornal sobre os Jogos Abertos de Cambuquira de 1949 e 1950. Restaurado digitalmente por Marco Antônio Resende de Oliveira e Johnny.

Vale observar a linguagem de cinejornal (que em vários momentos faz rir pela desenvoltura de seu narrador) e a saudosa Cambuquira antiga, que sediava um campeonato esportivo que trazia atletas de vários clubes do Brasil à cidade.

Além da restauração de O ESPORTE EM MARCHA, Marco Aurélio e Johnny têm produzido pequenos curtas e clipes sobre personalidades ou momentos da cidade, com colagem de imagens de arquivo e material atual gravado por eles. Alguns desse trabalhos serão exibidos nessa sessão:

Os Apaches, Miragem, Tributo a Charles Berthaud, Coral de Cambuquira, Terras de Minas “Isabelita”, Era Digital.

Após a sessão, haverá debate com Sylvio Brito, editor de Encontro – O Jornal de Cambuquira.

dia 15/5 às 16h no Espaço Cultural Sinhá Prado.

Classificação livre.

Entrada Gratuita!

VIDA DE MENINA, dir. Helena Solberg, BRASIL-RJ, 2005

maio 6, 2010

No próximo sábado, 8 de maio, às 16h00 o Benedita Cineclube exibe VIDA DE MENINA, de Helena Solberg. Classificação livre.

O longa-metragem é uma adaptação dos diários de Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant. Sob a perspectiva dessa menina de 13 anos, o filme exibe um panorama intimista da vida cultural e familiar da cidade de Diamantina em seu período de decadência econômica nos fins do século XIX. Sentimental, mas sem concessões à pieguice, Vida de menina não é apenas um grande filme de época, repleto de cenas marcantes e bem realizadas, mas também o resgate de uma importante obra literária que encantou personalidades como Guimarães Rosa e Elizabeth Bishop.

Vida de menina acompanha três anos (1893-1895) da vida da adolescente Helena, em um momento crítico de sua vida, quando começa a lutar para conquistar sua liberdade e integridade. Tendo como pano de fundo um Brasil que acaba de abolir a escravatura e proclamar a República, a jovem começa a escrever o seu diário, revelando seu universo e um país que adolesce junto com ela. É nesse diário que Helena debocha e desmascara as pretensas virtudes alheias, procurando não perder sua alegria infantil de viver e reinventando o mundo à sua maneira.

TRAILER

CRÍTICA

Questionando um país jovem e contraditório

por Neusa Barbosa

A crônica cotidiana de um país que acaba de proclamar a República mas disfarça mal a opressão de sua grande população negra, apesar da abolição formal da escravidão, salta das páginas do diário de Helena Morley, pseudônimo literário de Alice Dayrell Caldeira Brant, que é a protagonista por trás do livro Minha vida de menina – O diário de Helena Morley (Companhia das Letras, 1998). Escrito entre 1893 e 1895, e admirado por escritores como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, o texto inspira Vida de menina, primeiro filme de ficção da documentarista Helena Solberg, que tão criativamente radiografou a figura de Carmem Miranda em Bananas is my business (1995).
Quase 110 anos transcorreram entre a escritura do livro, publicado pela primeira vez em 1942, e o filme de 2004, que traduz a notável permanência de tantos dilemas da adolescência e da condição feminina, independente de tempo e lugar. A menina Helena revela-se uma contestadora cujo espírito a Diamantina provinciana, carola, isolada, moralista e decadente de sua época não conseguem aprisionar.
No contexto de um país em transição naquele final do século 19, aparentemente nada acontecia na cidade mineira, tão ignorante da recente descoberta do cinema quanto da Teoria da Evolução de Charles Darwin. A modorra reflete o esgotamento da mineração de ouro e diamantes, que já garantira a riqueza da região, mas que agora decreta a falência de Alexander Morley (Dalton Vigh), o pai da menina, obcecado em extrair ainda algum resultado de uma lavra estéril.
Na resignação silenciosa da mãe, Carolina (Daniela Escobar), a essa insana obstinação do marido e também ao domínio do irmão Geraldo (Camilo Bevilácqua) nos negócios da família materna, Helena flagra a posição subalterna das mulheres, de que ela intuitivamente se ressente. Como também identifica as contradições que cercam a posição social dos negros em seu ambiente. Ex-escravos, eles continuam agregados na grande casa da avó, Teodora (Maria de Sá), nominalmente livres, mas cidadãos de segunda classe, até espiritualmente. O pai de Helena garante-lhe que, depois da morte, ela não irá para o “céu dos africanos”. Em sua visão, a separação por raças contamina a alma e prossegue, irredimível como um pecado original, até depois da vida.
Um Brasil jovem e contraditório, encharcado dessas violências sociais e conflitos nunca resolvidos, encontra eco nessa menina se tornando mulher, que a tudo olha com curiosidade, acumulando em seu diário não observações sociológicas, certamente, mas reflexões sinceras de um coração descompromissado que anunciam uma pré-feminista. Um diário que é, aliás, uma espécie de antecipação do blog atual, território que tem se mostrado apto a essa mesma espontaneidade juvenil.
A própria herança cultural inglesa – Helena é neta de um médico britânico – torna-se para ela outro foco de desequilíbrio e choque. As lições de etiqueta da tia Madge (Loló Souza Pinto), e suas instruções de como andar pelas ruas de terra batida portando uma sombrinha para evitar o sol, reforçam o sentimento de inadequação. E são também um retrato vivo do confronto entre uma cultura europeia resistente a abrir mão de seus preconceitos e penduricalhos e o desconfiado despojamento caipira do Brasil rural de mais de um século atrás.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Helena Solberg
Roteiro: Elena Soárez, Helena Solberg
Elenco: Ludmila Dayer, Daniela Escobar, Dalton Vigh, Camilo Bevilacqua, Lígia Cortes, Maria de Sá, Lolô Souza Pinto, Benjamin Abras, Luciano Luppi
Empresa Produtora: Radiante Filmes Ltda.
Produção: David Meyer
Produção Executiva: David Meyer
Direção de Produção: Marcelo Ferrarini
Direção Fotografia: Pedro Farkas
Operador de Câmera: Rodrigo Toledo
Iluminador: Pedro Farkas
Fotografia de Cena : Beatriz Perrella
Montagem/Edição: Diana Vasconcellos
Estúdio Montagem/Edição: Afinal Filmes
Direção de Arte: Roberto Mainieri
Cenografia: Roberto Mainieri
Figurino: Marjorie Gueller
Produção de Arte: Luciana Lamounier
Maquiagem: Lu de Moraes
Cabeleireiro: Bob Paulino
Técnico de Som Direto: Paulo Ricardo Nunes
Edição Som: Filmosonido
Mixagem: Filmosonido
Estúdio Som: Filmosonido
Autor da Trilha: Wagner Tiso
Descrições das Trilhas: Panis Agelicus, Jardim Secreto, Flor do céu Biribiri, Luizinha, Carnaval e Castelos, Sinos, Laschia qu’io Pianga (Handel), É a ti, flor do céu

Fonte: Programadora Brasil

CAVALINHO AZUL, dir Eduardo Escorel, BRASIl-RJ, 1984

abril 25, 2010

cena de Cavalinho Azul, de Eduardo Escorel

O mês de maio no Benedita Cineclube começa com uma sessão para o público infantil.

No próximo sábado, 1º/5, às 16h serão exibidos CAVALINHO AZUL, longa-metragem de Eduardo Escorel, 1984, 94 min e PORTINHOLAS, curta produzido por 150 alunos da rede municipal de ensino de fundamental de Vitória-ES, 2003.

Trata-se do programa 9 da Programadora Brasil que reuniu filmes inspirados na literatura, na pintura e no teatro brasileiro voltados para o público infanto-juvenil e que homenageiam grandes autores do gênero a partir das suas obras: Portinholas, do livro homônimo da escritora Ana Maria Machado, é o resultado de um projeto realizado com 150 crianças da rede pública, pelo Instituto Marlin Azul/Projeto animação, em Vitória- ES. As crianças criaram e animaram o curta que, como no livro, faz uma viagem ao mundo das artes através da pintura de Portinari. O Cavalinho Azul, filme em longa metragem de Eduardo Escorel, baseou-se na peça homônima, escrita pela teatróloga infantil Maria Clara Machado. A obra de Escorel, realizada em 1984, já é considerada um clássico do cinema infantil.

O CAVALINHO AZUL

Sinopse

Era uma vez um menino, chamado Vicente, que tinha um cavalo, para seus pais, um velho pangaré marrom, bem feio e magro. Para Vicente, um lindo cavalo azul. Passando dificuldades, os pais vendem o pangaré para comprar mantimentos. Recuperar ser cavalinho azul é a missão e a aventura de Vicente.

Ficha Técnica

Direção: Eduardo Escorel

Roteiro: Sura Berditchevsky e Eduardo Escorel

Elenco: Pedro de Brito, Ana Cecília Guimarães, Alby Ramos, Carlos Wilson, Ariel Coelho, Breno Moroni, Renato Consorte, Joana Fomm, Nelson Dantas, Carlos Kroeber, Bia Nunes, Maria Clara Machado e Erasmo Carlos.

Empresa(s) Co-produtora(s): Cinefilmes Ltda
Produção Executiva: Eduardo Escorel e Breno Kuperman
Direção de Produção: José Arthur Swartz
Coordenação de Produção: Sonia Faerstein
Direção Fotografia: José Tadeu Ribero
Montagem/Edição: Gilberto Santeiro
Direção de Arte: Maurício Sette
Sound Designer: Virgínia Flores

PORTINHOLAS

Sinopse

Maria Luiza, uma adolescente de 14 anos, descobre no livre “Portinholas” e nos quadros de Portinari o encantamento da vida e do mundo da arte.

imagem do curta Portinholas

Ficha Técnica

Direção: 150 alunos da rede mun. de ensino de fundamental de Vitória – ES
Roteiro: 30 alunos da rede mun. de ensino fundamental de Vitória
Elenco: Vozes: Meiryelle do Rosário e Glecy Coutinho
Empresa(s) Co-produtora(s): Instituto Marlin Azul
Produção Executiva: Beatriz Lindenberg
Direção de Produção: Lucia Caus
Coordenação de Produção: Babriela Nogueira
Montagem/Edição: Ana Rita Nemer e Beatriz Lindenberg
Direção de Arte: Os Alunos
Técnico de Som Direto: Kiko Miranda
Edição Som: Kiko Miranda
Sound Designer: Kiko Miranda
Descrições das Trilhas: Alunos do Projeto Vale Música – Orquestra Jivem e congo na Escola

Outros curtas coordenados pelo Instituto Marlin Azul e desenvolvidos pelos alunos das escolas de Vitória já foram exibidos na MOSCA – Mostra Audiovisual de Cambuquira (www.mostramosca.com.br), como Albertinho, Vitória para mim, Ele e Encontro em Marte.

Prêmios

-IV Festival Brasileiro Estudantil de Animação – Animarte (RJ) – 2005 – 3º Lugar Júri Profissional/ Ensino Médio/Fundamental
-26º Festival de Havana (Cuba) – 2004 – Menção Honrosa
-Cine-Pe – Festival do Audiovisual (PE) – 2004 – Melhor Trilha Sonora Original e Prêmio Especial do Júri/Animação
-FAM – 8º Florianópolis Audiovisual Mercosul (SC) – 2004 – Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Animação em Curta-Metragem de 35mm
-27º Festival Guarnicê (MA) – 2004 – Menção Honrosa

CRÍTICA – Cavalinho Azul

Viagem fantástica pelo universo infantil , por Januário Guedes

O filme O Cavalinho Azul, feito no início dos anos 1980, conserva sua vitalidade estética e o seu interesse narrativo duas décadas depois. Baseado em peça teatral de Maria Clara Machado, autora, diretora e professora de atores do teatro dito ?infantil?, encanta gente de todas as idades. Nas mãos do diretor Eduardo Escorel, este clássico da dramaturgia brasileira transforma-se em cinema da melhor qualidade. Privilegiando a invenção, o filme é um périplo narrativo, ou seja, uma viagem pelo imaginário mítico de uma criança. O roteiro opta por se expressar como esse imaginário e não sobre ele. O resultado é uma obra em que o universo infantil é explicitado em toda a sua complexidade e inocência. Neste universo, podem se misturar, por exemplo, conhecimentos de geografia adquiridos na escola com uma outra geografia ?mental? (que só existe na cabeça do personagem principal, Vicente), o que, nos dias de hoje, poderia ser entendido como um espaço virtual.

O garoto Vicente vive em um sítio no interior e é muito apegado a um cavalo usado em serviço por seu pai. Inconformado com a venda do animal, sai pelo mundo à sua procura. Mundo imaginário, como aquele do circo que encontra no caminho, com uma garota espectadora chamada Maria (que se torna sua amiga), um palhaço boa-praça e músicos-vilões que o acompanham. Nas aventuras atrás do fantástico cavalinho azul, inventado por sua fértil imaginação, Vicente encontra outros personagens pelo caminho, como a Fada (seria uma feiticeira), representada pela própria Maria Clara Machado e o Cowboy. Toda a história é narrada por João de Deus, encarnação do próprio Deus, que intervém no transcurso da narrativa, conduzindo Vicente ao final de sua busca imaginária.

Como complemento do programa, o curta-metragem Portinholas surpreende pela inventividade de seus autores e o curioso de seu enredo. É uma animação, feita por 150 crianças de escolas públicas de Vitória (ES), participantes de oficinas de cinema. O filme é inspirado no livro do mesmo nome, escrito por Ana Maria Machado, e ilustrado por telas do pintor Cândido Portinari. Narra, misturando cenas reais, a história de uma garota que, cansada da violência que vê na televisão, mergulha literalmente no espaço do livro e da pintura de Portinari, caminhando por suas telas que representam o universo infantil, com tudo que tem de encantamento e beleza.

fonte: Programadora Brasil