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BETE BALANÇO

abril 4, 2010

No próximo sábado, dia 10 de abril, sempre às 16h, o Benedita Cineclube exibe Bete Balanço.

O longa-metragem de estréia de Lael Rodrigues é o primeiro de uma trilogia composta por Rock Estrela e Rádio Pirata deu voz a geração oitentista do rock nacional: Barão Vermelho, Lobão, Banda Brylho, Manhas e Manias, Celso Blues Boy e Metralhatxeka. Cultuado na época do seu lançamento por um público sedento por consumir rock numa era pré-MTV e anterior à popularização do vídeo-clipe, o filme é conduzido pela batuta musical de Irapuã Jardim (direção de gravação) e Roberto de Carvalho (mixagem). Além da cena musical brasilera da chamada “década perdida”, o filme recupera também imagens da cidade do Rio de Janeiro pós-ditadura e pós-desbunde que marcaram os anos 80. A capital carioca é apresentada como um cartão postal que ultrapassa o fundo para as ações dos personagens e se apresenta como uma verdadeira personagem da trama.

SINOPSE

Bete é uma garota de Governador Valadares, recém aprovada no vestibular e cantora eventual do bar da cidade. Liberada na relação sexual com o namorado, curte teatro e sonha com um espaço maior para o seu prazer, na batalha do trabalho e da vida. A música atrai Bete para o Rio de Janeiro, pouco antes de completar 18 anos. Tudo o que experimenta, então, é uma inevitável sucessão de coisas boas e más.

O filme tem no elenco Débora Bloch, Lauro Corona, Maria Zilda, Diogo Vilela, Hugo Carvana, Arthur Muhlenberg, Jessel Buss, Duse Nacarati, Eleonora Rocha, Marcus Vinicius, Cláudio Moreno, Andréa Beltrão, Cláudio Baltaf, Lobão e os Ronaldos, Metralhatxeca e Celso Blues Boy.

Participação especial: Maria Zilda, Cazuza e Barão Vermelho.

FICHA TÉCNICA

Título: Bete Balanço
Duração: 72 min e 0 seg.
Ano: 1984
Cidade: Rio de Janeiro UF(s): RJ País: Brasil
Gênero: Ficção / Subgênero: Suspense

Classificação indicativa: 14 anos

EQUIPE

Direção: Lael Rodrigues
Roteiro: Lael Rodrigues e Yoya Wurch
Empresa(s) Co-produtora(s): CPC – Centro de Produção e Comunicação Ltda.
Produção: Carlos Alberto Diniz
Produção Executiva: Tizuka Yamazaki
Direção de Produção: Walter Schilke
Direção Fotografia: Edgar Moura
Montagem/Edição: Lael Rodrigues
Direção de Arte: Yurika Yamasaki
Trilha original: Cazuza e Roberto Frejat

“Quem tem um sonho não dança”
por Glênio Nicola Povoas.

Mesmo com um roteiro simples, este é um dos raros filmes brasileiros a buscar diálogo com público na faixa dos 18 anos, e por isso foi muito importante para os jovens da época. A trama melodramática apresenta alguns temas com sensibilidade, como a homossexualidade, na relação entre Bete e Bia; ou a do amigo Paulinho. Também procura engajamento social com a história das fotos do linchamento num Brasil pós-Abertura. Bete Balanço funciona também como espelho da geração 80 e seus modismos, expressões, desejos, sonhos.

Débora Bloch interpreta o papel-título. Este foi o seu segundo filme; antes trabalhou em Noites do Sertão (1984). Por sua participação nos dois foi escolhida a melhor atriz de 1984 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Lobão, que naquela época era acompanhado d’Os Ronaldos, aparecem cantando “Me chama”. E o Barão Vermelho participava em sua formação original: Cazuza – voz, Roberto Frejat – guitarra, Dé – baixo, Guto – bateria, Maurício Barros – teclado. Cazuza também é ator do filme, interpretando o personagem Tininho, e com Frejat compôs especialmente duas canções para o filme: “Bete Balanço” e “Amor, Amor”, dois sucessos instantâneos, lançados em compacto simples (Som Livre) três meses antes da estréia do longa; a trilha completa saiu em LP (Som Livre, 1984).

O diretor Lael Rodrigues, paulistano de nascimento (1951), era mineiro de criação. Estudou arquitetura na Universidade de Brasília e cinema na Universidade Federal Fluminense. Da sociedade com Tizuka Yamasaki, Carlos Alberto Diniz, José Frazão e Mendel Rabinovich criou o CPC – Centro de Produção e Comunicação – que vai produzir filmes como J. S. Brown, o Último Herói (1978, Frazão) e Patriamada (1985, Yamasaki). Foi diretor de diversos curtas-metragens desde 1973. Montador de Se segura malandro (1978) e Bar Esperança (1983), ambos de Hugo Carvana ou de Gaijin, Caminhos da Liberdade (1980) e Parahyba Mulher Macho (1983), ambos de Yamasaki. Assina também a montagem de seu longa de estréia, Bete Balanço, grande sucesso de público desde o lançamento no Rio de Janeiro em 30 de Julho de 1984. Lael Rodrigues faleceu em 1989.

Fonte: Programadora Brasil


Programação de abril – Música e Contexto

março 27, 2010