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POR TRÁS DO PANO | O PÁSSARO AZUL | A HORA DA ESTRELA | NO CORAÇÃO DOS DEUSES

fevereiro 1, 2012

O Benedita Cineclube fica no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG

Entrada Franca!

Houve Uma Vez Dois Verões e O Diário Aberto de R.

março 15, 2010

Os filmes da próxima sessão do Benedita Cineclube (sáb, 20/3, 16h) são Houve Uma Vez Dois Verões, e O Diário Aberto de R.

Houve Uma Vez Dois Verões é o longa-metragem de estréia de Jorge Furtado, cineasta gaúcho que além de vários curtas de destaque nos anos 80 e 90, dirigiu também O Homem Que Copiava (2003), Meu Tio Matou Um Cara (2004) e Saneamento Básico, o filme (2007).

Assista no site porta curtas o seu curta-metragem mais premiado

Ilha das Flores, Jorge Furtado, Doc/Exp, 1989, 13 min

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=647&Exib=1

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Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado

BRASIL – RS, 2002, ficção, 75 min. – classificação 12 anos

SINOPSE

Ele é um rapaz ingênuo em busca do primeiro amor. Ela está guardando dinheiro para viajar para a Austrália.

Juntos, eles vão viver uma grande paixão. Se você acredita na força do destino, no poder do amor e nas sinopses dos filmes, vai ter algumas surpresas.

Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Empresa(s) Co-produtora(s): Casa de Cinema de Porto Alegre
Produção Executiva: Luciana Tomasi e Eleonora Goulart
Direção de Produção: Marco Baioto e Débora Peters
Direção Fotografia: Alex Sernambi
Montagem/Edição: Giba Assis Brasil
Direção de Arte: Pierre Olivè
Figurino: Rô Cortinhas
Técnico de Som Direto: Cristiano Scherer
Edição Som: Cristiano Scherer
Mixagem: Luiz Adelmo
Trilha Musical: Sim
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Trilha Musical: Leo Henkin

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Caetano Gotardo é um jovem cineasta paulista. Entre este e outros trabalhos, pode-se destacar o curta Areia, por ter sido exibido na abertura da Semana da Crítica/Festival de Cannes em 2008.

O Diário Aberto de R., de Caetano Gotardo

dir. Caetano Gotardo, BRASIL – SP, 2005, ficção, 14 min. – classificação 10 anos.

SINOPSE

Rafael dorme. Rafael espera. Rafael abraça. Rafael deita. Rafael chora.

Direção: Caetano Gotardo
Roteiro: Caetano Gotardo
Elenco: Fábio Lucindo, Marco Pigossi, Thays Alves, Gustavo Nobre, Lilian Blanc
Produção Executiva: Marco Dutra
Direção de Produção: Marco Dutra
Direção Fotografia: Chica San Martin
Fotografia de Cena: Não
Direção de Arte: Milena Durante
Figurino: Milena Durante
Técnico de Som Direto: Daniel Turini
Sound Designer: Daniel Turini
Trilha Musical: Não
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Robert Schumann Interprete: Marco Dutra

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sobre a sessão de 20/3

CRÍTICA

CORAÇÕES JOVENS E TRANQÜILOS, por Rodrigo de Oliveira

Os adolescentes no centro de Houve uma vez dois verões e O diário aberto de R. dividem uma mesma crença. E faz tanto sentido que sejam justo adolescentes, todos eles a um passo daquela experiência definitiva que torna a infância mais distante e a vida adulta tão inevitavelmente mais próxima. Não só Chico e Caio, os dois protagonistas, mas também seus diretores, Jorge Furtado e Caetano Gotardo, parecem acreditar nessa mesma coisa, e devotam seus filmes a defendê-la. Isso que só a sinceridade de quem está vivendo tudo pela primeira vez pode redimir de qualquer ridículo, em tempos tão descrentes como os atuais. Temos aqui dois filmes de amor, e que dele fazem sua profissão de fé.

A ameaça da desafeição, esse mal tão contemporâneo, não poderia passar ao largo. Ela é, em graus diferentes, a grande força-motora dos filmes. Em O diário aberto de R., estamos lidando com a distância mantida entre dois amigos colegiais, capazes de demonstrar carinho num dia, e no seguinte se tratarem com um quase repúdio. Houve uma vez dois verões é mais explícito, e planta no meio de seu romance uma figura anti-romântica por excelência, aquela que troca sonhos de felicidade por dinheiro, conseguido com uma falsa gravidez. Roza agrega ao filme valores insuspeitos nesta que parecia a história de amadurecimento de Chico através de um primeiro amor. Onde havia a lua encantadoramente fake, iluminando a primeira transa na praia, sobra a mercantilização do sentimento. A resposta a esses revezes precisa ter força igual ou maior. Aí entram esses dois diretores apaixonados: por seus personagens e pela própria idéia da resistência do sentimento.

Talvez não exista paralelo no cinema brasileiro de um filme que tenha sabido captar tão bem os humores da adolescência como Houve uma vez dois verões. Vai ver porque não capte mesmo – e sob essa idéia de se conseguir “pescar a juventude” se tenham feito tantos filmes sobre seu protótipo, cheias de clichês emocionais e gírias de almanaque. Furtado faz seu primeiro longa-metragem deixar de ser veículo e passar a ser, ele próprio, uma manifestação da juventude. Isso está expresso desde a escolha do suporte de gravação, o vídeo digital (mídia ainda menina em relação à velha película). Mais que isso, na incorporação do repertório visual dos fliperamas e pinballs, que dão o tom desse jogo de erros-e-acertos em que se transforma a jornada de Chico atrás da garota que lhe extorquiu, mas por quem não consegue evitar “gostar um monte”. Até mesmo a belíssima trilha sonora do filme parece vir dos temas desses joguinhos, dando um tratamento harmônico a sua habitual barulheira.

Tudo ali está armado para que os jovens possam acontecer enquanto tais, sem qualquer freio a seu despertar para a vida. O curta-metragem do igualmente jovem Caetano Gotardo abriga uma ambigüidade bastante curiosa neste sentido, equilibrando a experiência íntima de um diário que é, no entanto, mantido abertamente por Caio, com suas confidências sendo escritas na carteira da sala de aula, ao alcance de qualquer um. Era disso, no fundo, que os dois filmes queriam se impregnar: dessa exposição, desse peito-aberto da juventude. E assim eles se mostram, como no longo e tateante diálogo entre Chico e seu melhor amigo, logo após a primeira transa, tão comicamente honesto, ou ainda quando Caio nos revela o sonho em que ouvia finalmente de Rafael que a recíproca de sua paixão era verdadeira. O final feliz não é mais do que uma retribuição a tamanha entrega. Furtado reúne o casal romântico. Gotardo não precisa (e nem poderia) chegar a tanto. Mas crava na carteira escolar, a golpes de compasso, uma lição válida para os dois filmes: o amor permanente, profundo, que não se apaga com borracha.

* Rodrigo de Oliveira é crítico de cinema, redator e co-editor da Revista Contracampo e colunista do jornal capixaba Século Diário.

(fonte: Programadora Brasil)

Ciclo de Abertura – programação março 2010

fevereiro 25, 2010