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Fabricando Tom Zé

março 28, 2010

O músico Tom Zé é o primeiro personagem a aparecer na programação de abril do Benedita Cineclube. O ciclo Música e Contexto tem início com o documentário Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. que será exibido no próximo sábado, dia 3 de abril, às 16h.

O Filme
FABRICANDO TOM ZÉ (BRASIL, 2006, documentário, 89 min)  retrata a vida e obra de um dos mais controversos Tropicalistas.

Sem censura e de forma muito espontânea, ele conta como começou sua carreira na década de 60, fala abertamente do ostracismo nos anos 70 e de seu ressurgimento no início anos 90. O filme ainda conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Byrne e outros.

FABRICANDO TOM ZÉ revela porquê, aos 70 anos, Tom Zé ainda é considerado um músico de vanguarda, detentor de uma produção e de um estilo único e altamente original de fazer música.

Sobre Tom Zé

Tom Zé sempre disse que, por ser péssimo músico, precisou se reinventar e descobrir uma nova forma de fazer música. Pode parecer exagero, mas ele não estaria mais certo se tivesse uma opinião diferente de si próprio. Este baiano nascido em Irará, no Recôncavo Baiano, sempre foi um vanguardista. Em vez de querer se tornar um cantor ou músico como os outros, resolveu fazer a sua música. E esta música tão particular de Tom Zé nasce dos nada ortodoxos sons de enceradeiras, capacetes, soldas e tantos outros ‘utensílios’ que o ajudam a construir um universo musical único. Nem sempre suas criações são compreendidas e aceitas pelo público, críticos e próprios músicos. Mas quando calha de ser compreendido, Tom Zé recebe o título de um dos músicos mais brilhantes da música brasileira e mundial.

Pode parecer muito para este baiano que aprendeu a tocar violão na infância e começou a fazer suas primeiras canções inspiradas nos personagens e acontecimentos de Irará. Tom Zé chama estas primeiras composições de Imprensa Cantada. Tempos depois, já na adolescência, mesmo achando sua voz péssima para o canto, muda-se para Salvador, onde havia ganhado uma bolsa de estudos da Faculdade de Música da Bahia. É então que se inicia uma das fases mais ricas de sua vida, quando tem aulas com mestres como J.H. Koellreuter, Walter Smetak e Ernst Widmer.

É nesta mesma época que faz amizades que mudam sua vida e sua carreira. Entre os amigos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, com quem monta o histórico Nós, Por Exemplo nº 2, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Em 1968, é convidado por Caetano a se mudar para São Paulo, onde entra para o movimento Tropicalista. A partir daí, Tom ganha visibilidade e vence com a composição São Paulo, Meu Amor o festival de música mais importante do Brasil naquele tempo, o Festival da Canção da TV Record. Esta época de ouro da música brasileira também marcou o auge da ditadura militar. Os Anos de Chumbo acabaram por minar as forças criativas de muitos artistas e obrigaram Gil e Caetano a se exilarem no exterior. Logo após este período, Tom Zé, que ficou no país, passou por uma fase de esquecimento. Foi o preço que pagou por se manter fiel a seus ideais rebeldes. Este tempo de reclusão e sofrimento foi traduzido por ele em Todos os Olhos em 1973, álbum com o qual mandou seu recado de rebeldia à ditadura militar.

Mesmo com trabalhos magistrais, Tom Zé continuava longe dos olhos do grande público e subestimado por crítica e formadores de opinião. Mas o rumo de sua carreira, e de sua vida, mudou radicalmente no final dos anos 80, quando David Byrne, artista multimídia e líder dos Talking Heads, ‘descobriu’ Tom Zé. Em um exemplo clássico do provincianismo que faz com que um artista brasileiro só receba o reconhecimento merecido de seus compatriotas depois de ganhar o selo de qualidade no exterior, Tom Zé voltou a fazer sucesso no Brasil. Pelo seu selo, Byrne lançou a coletânea The Best of Tom Zé e os CDs The Hips of Tradition e Com Defeito de Fabricação. O músico, que comprou por acaso um álbum de Tom Zé em uma passagem pelo Rio de Janeiro, ainda lançou o álbum Post Modern Platôs, em que nomes como Sean Lennon, John McEntire (Tortoise) e Amon Tobin remixaram as músicas de Tom. A partir daí, Tom Zé fez shows em Nova York, Paris, Londres, entre outras cidades.

Mas a confirmação popular e definitiva da repercussão que sua carreira internacional exerceu no Brasil só se deu em 1999, durante o Abril Pró Rock em Recife. Em uma noite regada a shows de bandas de rock como Sepultura, o show de Tom Zé recebeu a maior ovação da história do festival, levando o público e artista às lágrimas. Desde então, sua obra vem sendo reconhecida de tal forma que Tom Zé já realizou desde composições de trilha sonora para apresentação do Grupo Corpo, atuou no filme Sábado, de Ugo Giorgetti e ganhou até mesmo uma surpreendente homenagem da equipe de nado sincronizado brasileiro nos Jogos Pan Americanos de Santo Domingo, que conquistou a medalha de bronze usando sua música como trilha musical.

Em 2003, Tom Zé foi mestre de cerimônias da noite brasileira do MIDEM em Cannes. No mesmo ano, lançou o disco Imprensa Cantada, um DVD do show Jogos de Armar e o livro Tropicalista Lenta Luta. Em 2004, a canção São Paulo, Meu Amor foi tema da campanha das comemorações dos 450 anos de São Paulo. Nada mais justo. Afinal, Tom Zé é o mais paulistano dos baianos e conseguiu sintetizar muito bem todo o “espírito” desta grande metrópole.

É o caráter único de sua criação e de sua trajetória que faz com que seja tão importante registrar a vida de Tom Zé, lançando mão de métodos heterogêneos para retratar este artista que tem como maior característica o “inusitado”, não apenas nas letras (por vezes líricas, outras vezes irreverentes e desconcertantes), mas, principalmente, na sua música e na forma experimental de se expressar. Tom quebra todos os parâmetros usuais e reinventa sons, lançando mão de ‘instrumentos’ nada comuns como eletrodomésticos, serrotes, buzinas. Faz sempre questão de criar uma atmosfera especial e contagiante em seus shows.

Aos 70 anos, Tom Zé esbanja vitalidade e é mais do que nunca um músico de vanguarda. Tanto que neste ano de 2007, Tom recebeu o Prêmio Shell de música, uma honra reservada a poucos. Seu estilo único é prova de que, como bem diz Byrne, “seu trabalho, novo e velho, ainda é completamente contemporâneo, não só no Brasil, mas em Nova York, Londres e Zurique.”

Equipe Técnica de Fabricando Tom Zé

direção: Décio Matos Jr.

roteiro: Décio Matos Jr., Matias Mariani, Omar Leite Jundi e Eliane Ferreira

produção: Décio Matos Jr., Matias Mariani, Omar Leite Jundi e Eliane Ferreira

co-produção: Patrick Siaretta

produção executiva: Eliane Ferreira, Matias Mariani

fotografia:Lula Carvalho

montagem:Letícia Giffoni

som direto: Aloysio Compasso

desenho de som: Beto Ferraz

mixagem: José Luiz Sasso

gravação de shows: Diego Guimarães

videografismo: Sofia Costa Pinto

música:Tom Zé

produtoras:Goiabada Productions / Spectra Mídia / Muiraquitã Filmes / Primo Filmes

distribuidora:Filmes do Estação

site oficial:http://www.fabricandotomze.com.br

Trailer



Programação de abril – Música e Contexto

março 27, 2010