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Junho no Cineclube: De Carmem à Chanchada

maio 31, 2011

Serviço:

O Benedita Cineclube acontece no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG.

toda quinta-feira às 19h

Entrada franca!

ASSIM ERA A ATLÂNTIDA, de Carlos Manga, RJ, 1974, doc, 105 min

outubro 4, 2010

O Benedita Cineclube inicia o mês de outubro com Assim Era a Atlântida, documentário de Carlos Manga (1974).

7/10, quinta-feira, às 19h – imperdível!

A Atlântida ficou mesmo conhecida com as famosas chanchadas ou comédias populares, que foram o principal produto de um cinema que pretendia firmar-se como indústria. E assim foi feito. O público lotava os cinemas, reverenciava seus ídolos, numa época (anos 50) em que o musical americano dominava o mundo. Jamais houve uma sintonia tão grande entre o cinema brasileiro e o público. Assim Era a Atlântida reúne trechos dos principais filmes que sobreviveram a um incêndio nos estúdios da empresa, em 1952, e a uma inundação em seus depósitos, em 1971. Esses filmes foram reavaliados e recuperados através de um trabalho árduo e eficiente. Assim, você vai (re)ver cenas antológicas do nosso cinema que marcaram o imaginário de várias gerações. O humor irreverente e debochado de Oscarito e Grande Otelo; os galãs Anselmo Duarte e Cyll Farney; as mocinhas Eliana, Fada Santoro, e Adelaide Chiozzo; os eternos vilões José Lewgoy e Renato Restier; e mais Emilinha Borba, Francisco Carlos, Jorge Goulart, Nora Ney, Dóris Monteiro, e além dos diretores Moacir Fenelon, José Carlos Burle, Watson Macedo, e Carlos Manga, que somente na Atlântida dirigiu 21 filmes. A Atlântida criou uma maneira de ver cinema. Um cinema autêntico, popular. Expressão de uma época. Em sintonia com um tempo feliz, com muitos risos e romances inocentes. Muitos vão recordar, outros conhecer, mas com certeza todos vão se divertir. Senhoras e Senhores: Assim Era a Atlântida.

SINOPSE

Assim Era a Atlântida – Um dos maiores e mais prolíficos diretores da época de ouro da Atlântida, Carlos Manga segue com sucesso a fórmula de Era uma Vez em Hollywood (sobre os grandes musicais da Metro), ao reunir trechos das principais produções dos estúdios cariocas e depoimentos de atores e diretores. Há dramas, comédias e policiais — que sobreviveram a um incêndio e a uma inundação nos depósitos da empresa – mas foi com as chanchadas musicais que a Atlântida marcou época nos anos 1940 e 1950. Assim, fixou um gênero genuinamente brasileiro que, não raro às custas de paródias de filmes americanos, obteve enorme sucesso de público e ainda lançou mitos como a dupla Grande Otelo & Oscarito, Zezé Macedo, Zé Trindade, Eliana, Anselmo Duarte e Cyll Farney.

CRÍTICA

Ode à felicidade e à inocência, por Luiz Joaquim*

Para os brasileiros de hoje, na casa dos 60, 70 anos, que tinham o hábito de, na adolescência, frequentar salas de cinema, a combinação das palavras Atlântida, Oscarito, Grande Othelo, Eliana e Cyll Farney fazem soar um violento tilintar saudosista. Um som que remete a uma época na qual nossa produção cinematográfica vivia momentos de glória, atingindo em cheio o gosto do público a partir da Chanchada. O gênero surgiu aqui no país nos anos 1940 e consolidou-se na década seguinte, sendo os estúdios da Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S/A, fundada em 1941, o seu mais virulento símbolo.

Pode-se dizer que o filme contido neste pacote, Assim Era a Atlântida, rodado em 1975 por Carlos Manga, é auto-explicativo. O diretor Manga chegou à Atlântida aos 19 anos como ajudante de carpintaria dos cenários e tornou-se o menino de ouro da produtora. Ele, ao dirigir seus próprios filmes, iniciando com Nem Sansão, Nem Dalila (1953), revolucionaria o estúdio e o gênero, integrando números musicais ao corpo ficcional das Chanchadas. Experimento que já havia dado certo em Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle.

De posse da autoridade que goza, Manga reuniu aqui trechos dos 27 títulos que restaram da Atlântida após um incêndio que a tomou em 1952. A partir deles, montou uma antologia pela qual temos uma visão ora analítica, ora saudosista do que significou o estúdio e de como as estrutura narrativa simples de suas obras e seus enredos pueris encantava as massas que lotavam os cinemas para, entre outras coisas, conhecer as marchinhas de carnaval que iriam marcar os bailes no ano seguinte ou corrente.

Realizado cerca de 15 anos após o crepúsculo da Chanchada e no alvorecer da Pornochanchada (tendo o Cinema Novo também já arrefecido), o documentário Assim Era a Atlântida chegou em 1975 como uma revisão sobre seus anos de ouro, mas ainda magoada com a postura da crítica especializada em cinema que, naqueles anos, batia forte contra as produções da Atlântida.

Nas vozes de suas estrelas – Adelaide Chiozzo, Anselmo Duarte, Fada Santoro, José Lewgoy e até Norma Bengell, além dos já citados no primeiro parágrafo (exceto por Oscarito, que falecera em 1970) – há também o regozijo por saber que eram eles que levavam alegria para uma platéia fiel e crescente.

Intercalando e ilustrando os depoimentos de seus astros com imagens de seus sucessos, Manga vai desenhando um mapa pelo qual pode se reconhecer os caminhos do sucesso percorrido pela Atlântida, dos quais uma trilha, a da paródia, o estúdio dominava como nenhum outro no país.

Neste rastro, temos Carnaval no Fogo (1950, lançando Eliana), com a histórica seqüência entre Oscarito e Otelo interpretando Romeu e Julieta. Nem Sansão, Nem Dalila (1953), satirizando a partir de Sansão e Dalila, de Cecil B. DeMille, ou ainda Matar ou Correr (1954), rodado em Jacarepaguá (RJ) como se fosse o Velho Oeste de Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann. E no quesito paródia, não havia ninguém como Oscarito que, nas palavras de Grande Othelo, seu melhor parceiro, “confundia-se com o próprio símbolo da Atlântida”. Eram inúmeros os trejeitos deste artista completo, quanto sua capacidade de criar improvisos.

Para as novas gerações, ver Assim Era a Atlântida pode servir para suscitar uma nova discussão sobre a validade da Chanchada na nossa história, sempre tão rechaçada pelos intelectuais, mas tão amada pelos espectadores, em mais de de dez anos de reinado absoluto num período de rara e comovente comunhão entre publico e produção nacional.

*Crítico de cinema do jornal Folha de Pernambuco, curador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e professor da Especialização em Cinema da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

FICHA TÉCNICA

Direção: Carlos Manga
Roteiro: Carlos Manga e Silvio de Abreu
Elenco: Oscarito, Sonia Mamede, Zezé Macedo, Zé Trindade, Renato Fronzi, Ivon Cury, Bené Nunes, Emilinha Borba, Francisco Carlos, Nora Ney, Jorge Gourlart, Isaurinha Garcia, Cuquita Carballo, Maria Antonieta Pons, Dick Farney, Caco Velho, Euvira Pagã, Blecaute, Marion, Quatro Ases e um Coringa, Vocalistas Tropicais, Suzy Kirby, Berta Loran, Vieirinha, Pituca, Afonso Estuart, Margot Louro, Avany Maura, Jece Valadão, John Herbert, Eva Wilma, Renato Restier, Wilson Viana, Wilson Grey, Pagano Sobrinho, Dircinha Batista, Ruy Rey, Francisco Dantas, Altair Villar, César de Alencar, Geraldo Gamboa, Modesto de Souza, Augusto César Vanucci, Eva Tudor, Jayme Filho, Odete Lara, César Viola, Mara Rios, Julie Bardot, Graça Mello, Carlos Cotrim, Samborsky, Sérgio de Oliveira, Luiz Carlos Braga, Márcia Real, Jackson Flores, Rocyr Silveira, Rosa Sandrini, Terezinha Morango, Miriam Pérsia, Adalgisa Colombo, Mara Abrantes, Edith Morel, Aurélio Teixeira, Derek, Irma Alvarez, Dóris Monteiro, Anselmo Duarte, José Lewgoy, Inalda, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, Cyll Farney, Norma Bengell, Eliana, Grande Otelo, Jomeri Posoli. Depoimentos: Anselmo Duarte, José Lewgoy, Inalda, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, Cyll Farney, Norma Bengell, Eliana e Grande Otello.
Empresa(s) Co-produtora(s): Atlântida Cinematográfica
Produção Executiva: Atlântida Cinematográfica e Carlos Manga
Direção de Produção: Atlântida Cinematográfica e Carlos Manga
Coordenação de Produção: Silvio de Abreu
Direção Fotografia: Antônio Gonçalves
Assistente de Câmera: Manoel Veloso
Montagem/Edição: Waldemar Noya
Direção de Arte: Carlos Manga
Técnico de Som Direto: Amadeu Riva
Edição Som: Aloísio Viana
Mixagem: Aloísio Viana

(Fonte: Programadora Brasil)

serviço:
O Benedita Cineclube acontece no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG.

ASSIM ERA A ATLÂNTIDA – qui 7/10, 19h

Classificação 10 anos

Entrada gratuita.

Programação de Outubro

outubro 3, 2010