Archive for fevereiro \27\UTC 2011

Documentários Cambuquirenses

fevereiro 27, 2011

JANGO, Silvio Tendler, 1984

fevereiro 21, 2011

No próximo dia 24, às 19h o Benedita Cineclube exibe JANGO, um dos maiores sucessos populares da história do documentário brasileiro, foi um filme necessário no seu tempo (1984, estertores do período de exceção) e hoje é um clássico.

Poucas vezes o perfil de um líder político chegou às telas com a fluência, a inteligência e a emoção desse trabalho de Silvio Tendler. O filme concentra-se na figura um tanto trágica desse estadista sem poder que, junto com sua deposição em 1964, levou consigo, por muito tempo, os sonhos de um governo popular. Um tesouro em materiais de arquivo é submetido a uma edição vibrante e servido por um texto que, além de comentar as imagens, vale-se de metáforas e aproximações para revelar o seu subtexto.

Sinopse

Um relato da vida política brasileira dos anos 60, tendo como fio condutor a biografia do presidente João Goulart. Sua ascensão e queda até a morte no exílio são reconstituídas a partir de material de arquivo e entrevistas com personalidades como o ministro Afonso Arinos de Melo Franco, o general Antonio Carlos Muricy, Leonel Brizola, Celso Furtado e Frei Betto, entre outros.

Crítica

“O estadista sem poder”, por Lúcio Flávio*

João Goulart morreu no exílio em 1976, tendo sido o único presidente brasileiro a chegar ao fim da vida nessas condições. Tal qual os estranhos personagens do escritor Albert Camus, perambulou pelos tortuosos caminhos do destino alimentando sonhos e esperanças que o retratassem com um passado marcado por equívocos e, em seu caso, injustiças históricas. Justiça essa, reparada, em parte, pelo ótimo documentário Jango, de Silvio Tendler. Precioso registro de nosso recente passado político, o filme – realizado em 1984, no calor do movimento pelas eleições diretas para a presidência da república – foi visto por mais de um milhão de pessoas, o maior público no gênero da cinematografia nacional.

Aproveitando momento importante do país, em que a democracia escancarava sua cara aos olhos de uma sociedade oprimida por mais de 20 anos de repressão ideológica, Jango também é uma espécie de mea-culpa com uma das figuras políticas mais emblemáticas do Brasil. Sua conturbada escalada política foi pontuada pelos sombrios ventos da época que carregavam a confusa dicotomia pregada pela vigente Guerra Fria, pelos flamejantes ideais socialistas e utopia populista que cercava, em menor ou maior grau, os governantes latino-americanos. Com João Goulart não seria diferente.

Conduzido pela melancólica trilha sonora de Wagner Tiso e Milton Nascimento e pela narração de José Wilker, o documentário alia leveza narrativa ao lado de vasto material de arquivo e entrevistas raras de personagens que viveram in loco e foram testemunhas cruciais daqueles conturbados anos. O rol perfila nomes como da filha de João Goulart, Denize Goulart, passando pelo líder comunista Gregório Bezerra, os jornalistas Raul Ryff e Marcos Sá Corrêa – o último com revelações surpreendentes da famigerada operação Brother Sam, que oficializava o envolvimento dos Estados Unidos no Golpe de 64 -, além dos ex-governadores Magalhães Pinto e Leonel Brizola – este em emocionante depoimento.

O primoroso texto de Maurício Dias desmente quaisquer riscos do uso da figura de Jango como mero pretexto para o discurso enaltecedor da democracia do diretor e produtor Silvio Tendler. Rico em material iconográfico e minucioso na pesquisa histórica, o longa esmiúça os bastidores da política nacional e estrangeira esclarecendo, passagens outrora nebulosas, como articulações que levaram a criação da chapa Jan-Jan (Jânio e Jango) ou o confuso e turbulento périplo de Goulart pela presidência até sua queda, em 1964. À luz desses acontecimentos, desfilam figuras marcantes da época como a do ditador chinês Mao Tsé-tung, do presidente americano John Kennedy e do guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara, além de personalidades nacionais como Adhemar de Barros, Carlos Lacerda e Tancredo Neves.

Preciso e direto em sua abordagem, o roteiro, ora poético, em sua maioria objetivo, serve de esteio para as colagens visuais do cineasta, um artista que aprendeu a valorizar a história brasileira e seus personagens de maneira simples e cativante. De Glauber Rocha a Milton Santos, de JK à Jango, uma espécie de minotauro preso nos labirintos de nosso passado mais recôndito.

* Lúcio Flávio Crítico de cinema do jornal Correio
Braziliense.

Ficha Técnica

Direção: Silvio Tendler
Roteiro: Silvio Tendler
Assistente de Direção: José Olívia Jr.
Elenco: Narração:José Wilker Depoimentos : Afonso Arinos, Aldo Arantes, Antonio Carlos Muricy, Bocayuva Cunha, Celso Furtado, Denize Goulart, Francisco Julião, Francisco Teixeira, Frei Betto, Gregório Bezerra, Leonel Brizola, Marcos Sá Correa, Magalhães Pinto, Maria Vitória Benevides, Raul Ryff,
Empresa(s) Co-produtora(s): Caliban Produções Cinematográficas LTDA
Direção de Produção: Cássia Araújo
Coordenação de Produção: Maria Muricy
Direção Fotografia: Lucio Kodato
Montagem/Edição: Francisco Sérgio Moreira
Técnico de Som Direto: Geraldo Ribeiro
Estúdio Som: Rob Filmes
Trilha: Música: Milton Nascimento e Wagner Tiso

(fonte: Programadora Brasil)


serviço:
O Benedita Cineclube acontece no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG.

JANGO – qui 24/02, 19h

Classificação 12 anos

Duração: 115 min

Entrada gratuita!

Fevereiro no Cineclube

fevereiro 14, 2011

Após a queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, o Benedita Cineclube discute o regime militar no Brasil (1964–1985), com a exibição dos curtas do programa “Anos de Chumbo” e do longa “Jango”.

E o mês de fevereiro se encerra com uma sessão especial para as crianças no sábado, 26/2 às 16h!


Samba Riachão e o Catedrático do Samba

fevereiro 6, 2011

O segundo ciclo musical no Benedita Cineclube se encerra na próxima quinta, 10/2 às 19h com a trajetória de dois sambistas Riachão e Germano Mathias.

O diretor Jorge Alfredo usa como pano de fundo a trajetória de Clementino Rodrigues, o popular sambista baiano Riachão, de 80 anos de idade, para contar a importância do samba para o povo brasileiro. O filme apresenta também um panorama do samba na Bahia, onde Riachão viveu mais de seis décadas influenciando gente como Caetano Veloso e Tom Zé. Samba Riachão venceu o prêmio de melhor filme no 34° Festival de Brasília na escolha do público e júri. Na mesma roda de samba de Riachão está Germano Mathias no documentário O Catedrático do Samba, um valioso registro sobre a vida do cantor e compositor paulista. Ao longo do filme, ele vai lembrando o início de tudo, com os engraxates na Praça da Sé.

O Catedrático do Samba, de Alessandro Gamo e Noel Carvalho , SP, 1999

Perfil do cantor e compositor paulistano Germano Mathias, traçado em estilo solto e malandro como o do sambista.

Samba Riachão, de Jorge Alfredo , BA, 2001

Aos 80 anos de idade, Riachão é o cronista musical da cidade de Salvador, tendo vivenciado todas as transformações pelas quais passou a música popular brasileira e os meios de comunicação no decorrer do século XX. É através das histórias deste cronista que o filme apresenta um relato histórico da MPB.

 

Riachão!

CRÍTICA

Samba, Riachão!  por Marcos Pierry
Para uns, Clementino Rodrigues é um compositor pueril. Para outros, um moleque solto na vida. E há quem ache os seus sambas uma coisa mordente. Vão direto na veia. Clementino é o octagenário sambista baiano Riachão, em nome de quem o cineasta Jorge Alfredo concebeu o documentário Samba Riachão. O filme se propõe, na verdade, a um exercício investigativo sobre o artista e ao mesmo tempo sobre o gênero musical que este animado bamba de Salvador pratica há mais de cinqüenta anos.

Dezenas de convidados participam do longa-metragem, falando sobre Riachão, cantando e dançando as suas músicas, especulando sobre as origens do samba e a eventual proeminência de diferentes estados brasileiros na criação deste universo rítmico capaz de ancorar uma expressiva parcela da cultura nacional.

Mas o que enche mesmo a tela é a imagem de Riachão. E olha que, ao longo de oitenta minutos, passam pelo écran performers de peso dos mais variados naipes – os tropicalistas Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil, o virtuose Armandinho, a dançarina Roseane Pinheiro, Dorival Caymmi, entre muitos outros. Não importa, é Riachão, pequeno, franzino, quem comanda o show. E para ele, tudo termina em samba. O tempo inteiro a saracotear o corpo, fagueiro no movimento de pés e mãos. O tempo inteiro a sorrir, mesmo quando chora ou denuncia a negligência de sua Bahia com o gênero que, pelo menos até hoje, melhor expressa a musicalidade local.

Sua estampa “óculos escuros, correntes/colares e anéis grossos, o bigode mínimo chapliniano e a indefectível toalha no pescoço”  é um prato cheio aos olhares ávidos por encontrar uma figura cult, para usar o termo caro na releitura contemporânea, em qualquer artista popular genuíno. A autenticidade, e o domínio de cena, do cantor e compositor acaba pondo à prova a necessidade de uma lista tão longa de entrevistados em Samba Riachão.

Uma montagem mais afiada tornaria o filme de Jorge Alfredo mais conciso, ainda mais ao levar-se em conta o desafio da aparente duplicidade temática: um sambista e/ou o samba. Assim, ficam fora de contexto imagens até representativas, como o plano que mostra a subida do bloco afro Ilê Aiyê durante o carnaval de Salvador, ou depoimentos poéticos, a exemplo da hipótese de Carlinhos Brown para o nascimento do samba (“nasceu na vontade de chegar aqui, precisou de porto”). Nada, porém, que derrube a peteca. Alfredo, além de documentarista, é músico. E sua jam session de samba e cinema está bem acima da média.

Completa o programa o curta-metragem O Catedrático do Samba, de Alessandro Gamo e Noel Carvalho, sobre o cantor e compositor paulistano Germano Matias. O filme traz histórias saborosas contadas pelo próprio sambista, único entrevistado da película, com destaque para o itinerário das gafieiras freqüentadas por Germano, nascido em 1934, a descoberta das latinhas de engraxate como instrumento musical e a nostalgia do músico ao lembrar do centro antigo de São Paulo. Os realizadores marcam um tento ao valorizar as tomadas externas com a presença orgânica do Germano, intérprete que mais de uma vez soube esquecer as diferenças bairristas ao gravar composições de calibre de sambistas cariocas.

serviço:
O Benedita Cineclube acontece no Espaço Cultural Sinhá Prado – Av. Virgílio de Melo Franco, 481 – Cambuquira-MG.

Samba Riachão e o Catedrático do Samba – qui 10/02, 19h

Classificação Livre

Duração: 109 min

Entrada gratuita!

 

O Samba no Cinema: Ficção

fevereiro 1, 2011

Na quinta, 3/2 às 19h será exibido o terceiro programa do ciclo de música brasileira “O Samba no Cinema: Ficção”. O programa faz parte da Programadora Brasil e conta com os curtas:

Com que Roupa? de Ricardo van Steen , RJ, 1996

Do Dia em que Macunaíma e Gilberto Freyre Visitaram… , de Sérgio Zeigler e Vitor Angelo , SP, 1998

Operação Morengueira , deChico Serra , RJ, 2005

Polêmica, de André Luiz Sampaio , RJ, 1999

Zezé Mota em "Polêmica"

É natural pensar que samba e cinema brasileiro combinam. Estes quatro curtas retratam personagens reais da história do samba, de forma ficcional. Começamos pelo pretenso momento em que Donga cria “Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba de todos os tempos; passamos por dois sambistas da mais alta grandeza, Moreira da Silva e Noel Rosa; para acabar na famosa rixa do último com Wilson Batista. Câmera na mão e samba no pé.

Cena de "Operação Morangueira"