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Fabricando Tom Zé

março 28, 2010

O músico Tom Zé é o primeiro personagem a aparecer na programação de abril do Benedita Cineclube. O ciclo Música e Contexto tem início com o documentário Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. que será exibido no próximo sábado, dia 3 de abril, às 16h.

O Filme
FABRICANDO TOM ZÉ (BRASIL, 2006, documentário, 89 min)  retrata a vida e obra de um dos mais controversos Tropicalistas.

Sem censura e de forma muito espontânea, ele conta como começou sua carreira na década de 60, fala abertamente do ostracismo nos anos 70 e de seu ressurgimento no início anos 90. O filme ainda conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Byrne e outros.

FABRICANDO TOM ZÉ revela porquê, aos 70 anos, Tom Zé ainda é considerado um músico de vanguarda, detentor de uma produção e de um estilo único e altamente original de fazer música.

Sobre Tom Zé

Tom Zé sempre disse que, por ser péssimo músico, precisou se reinventar e descobrir uma nova forma de fazer música. Pode parecer exagero, mas ele não estaria mais certo se tivesse uma opinião diferente de si próprio. Este baiano nascido em Irará, no Recôncavo Baiano, sempre foi um vanguardista. Em vez de querer se tornar um cantor ou músico como os outros, resolveu fazer a sua música. E esta música tão particular de Tom Zé nasce dos nada ortodoxos sons de enceradeiras, capacetes, soldas e tantos outros ‘utensílios’ que o ajudam a construir um universo musical único. Nem sempre suas criações são compreendidas e aceitas pelo público, críticos e próprios músicos. Mas quando calha de ser compreendido, Tom Zé recebe o título de um dos músicos mais brilhantes da música brasileira e mundial.

Pode parecer muito para este baiano que aprendeu a tocar violão na infância e começou a fazer suas primeiras canções inspiradas nos personagens e acontecimentos de Irará. Tom Zé chama estas primeiras composições de Imprensa Cantada. Tempos depois, já na adolescência, mesmo achando sua voz péssima para o canto, muda-se para Salvador, onde havia ganhado uma bolsa de estudos da Faculdade de Música da Bahia. É então que se inicia uma das fases mais ricas de sua vida, quando tem aulas com mestres como J.H. Koellreuter, Walter Smetak e Ernst Widmer.

É nesta mesma época que faz amizades que mudam sua vida e sua carreira. Entre os amigos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, com quem monta o histórico Nós, Por Exemplo nº 2, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Em 1968, é convidado por Caetano a se mudar para São Paulo, onde entra para o movimento Tropicalista. A partir daí, Tom ganha visibilidade e vence com a composição São Paulo, Meu Amor o festival de música mais importante do Brasil naquele tempo, o Festival da Canção da TV Record. Esta época de ouro da música brasileira também marcou o auge da ditadura militar. Os Anos de Chumbo acabaram por minar as forças criativas de muitos artistas e obrigaram Gil e Caetano a se exilarem no exterior. Logo após este período, Tom Zé, que ficou no país, passou por uma fase de esquecimento. Foi o preço que pagou por se manter fiel a seus ideais rebeldes. Este tempo de reclusão e sofrimento foi traduzido por ele em Todos os Olhos em 1973, álbum com o qual mandou seu recado de rebeldia à ditadura militar.

Mesmo com trabalhos magistrais, Tom Zé continuava longe dos olhos do grande público e subestimado por crítica e formadores de opinião. Mas o rumo de sua carreira, e de sua vida, mudou radicalmente no final dos anos 80, quando David Byrne, artista multimídia e líder dos Talking Heads, ‘descobriu’ Tom Zé. Em um exemplo clássico do provincianismo que faz com que um artista brasileiro só receba o reconhecimento merecido de seus compatriotas depois de ganhar o selo de qualidade no exterior, Tom Zé voltou a fazer sucesso no Brasil. Pelo seu selo, Byrne lançou a coletânea The Best of Tom Zé e os CDs The Hips of Tradition e Com Defeito de Fabricação. O músico, que comprou por acaso um álbum de Tom Zé em uma passagem pelo Rio de Janeiro, ainda lançou o álbum Post Modern Platôs, em que nomes como Sean Lennon, John McEntire (Tortoise) e Amon Tobin remixaram as músicas de Tom. A partir daí, Tom Zé fez shows em Nova York, Paris, Londres, entre outras cidades.

Mas a confirmação popular e definitiva da repercussão que sua carreira internacional exerceu no Brasil só se deu em 1999, durante o Abril Pró Rock em Recife. Em uma noite regada a shows de bandas de rock como Sepultura, o show de Tom Zé recebeu a maior ovação da história do festival, levando o público e artista às lágrimas. Desde então, sua obra vem sendo reconhecida de tal forma que Tom Zé já realizou desde composições de trilha sonora para apresentação do Grupo Corpo, atuou no filme Sábado, de Ugo Giorgetti e ganhou até mesmo uma surpreendente homenagem da equipe de nado sincronizado brasileiro nos Jogos Pan Americanos de Santo Domingo, que conquistou a medalha de bronze usando sua música como trilha musical.

Em 2003, Tom Zé foi mestre de cerimônias da noite brasileira do MIDEM em Cannes. No mesmo ano, lançou o disco Imprensa Cantada, um DVD do show Jogos de Armar e o livro Tropicalista Lenta Luta. Em 2004, a canção São Paulo, Meu Amor foi tema da campanha das comemorações dos 450 anos de São Paulo. Nada mais justo. Afinal, Tom Zé é o mais paulistano dos baianos e conseguiu sintetizar muito bem todo o “espírito” desta grande metrópole.

É o caráter único de sua criação e de sua trajetória que faz com que seja tão importante registrar a vida de Tom Zé, lançando mão de métodos heterogêneos para retratar este artista que tem como maior característica o “inusitado”, não apenas nas letras (por vezes líricas, outras vezes irreverentes e desconcertantes), mas, principalmente, na sua música e na forma experimental de se expressar. Tom quebra todos os parâmetros usuais e reinventa sons, lançando mão de ‘instrumentos’ nada comuns como eletrodomésticos, serrotes, buzinas. Faz sempre questão de criar uma atmosfera especial e contagiante em seus shows.

Aos 70 anos, Tom Zé esbanja vitalidade e é mais do que nunca um músico de vanguarda. Tanto que neste ano de 2007, Tom recebeu o Prêmio Shell de música, uma honra reservada a poucos. Seu estilo único é prova de que, como bem diz Byrne, “seu trabalho, novo e velho, ainda é completamente contemporâneo, não só no Brasil, mas em Nova York, Londres e Zurique.”

Equipe Técnica de Fabricando Tom Zé

direção: Décio Matos Jr.

roteiro: Décio Matos Jr., Matias Mariani, Omar Leite Jundi e Eliane Ferreira

produção: Décio Matos Jr., Matias Mariani, Omar Leite Jundi e Eliane Ferreira

co-produção: Patrick Siaretta

produção executiva: Eliane Ferreira, Matias Mariani

fotografia:Lula Carvalho

montagem:Letícia Giffoni

som direto: Aloysio Compasso

desenho de som: Beto Ferraz

mixagem: José Luiz Sasso

gravação de shows: Diego Guimarães

videografismo: Sofia Costa Pinto

música:Tom Zé

produtoras:Goiabada Productions / Spectra Mídia / Muiraquitã Filmes / Primo Filmes

distribuidora:Filmes do Estação

site oficial:http://www.fabricandotomze.com.br

Trailer



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Programação de abril – Música e Contexto

março 27, 2010

Castelo Rá Tim Bum, o filme!

março 23, 2010

Próxima sessão: 27/3, sempre às 4 da tarde!

CASTELO RÁ TIM BUM, O FILME, de Cao Hamburger – BRASIL-SP, 1999, ficção, 105 minutos – classificação livre.

Inspirado na série de TV que encantou gerações.

Desta vez, Nino Stradivarius (interpretado no filme por Diegho Kozievitch) deve começar escrever em seu livro de magia e dar início à sua aprendizagem como feiticeiro. Por ser um garoto diferente dos outros, ele sai em busca de amigos comuns, mas descobre que sua vida, e a de todos do castelo, está ameaçada.

Tudo começa com a chegada de Tia Losângela (Marieta Severo), a ovelha negra da família que rouba o livro de Morgana, tirando-lhe os poderes. O castelo perde a vida e os tios de Nino transformam-se em fantoches da megera. Muitas coisas acontecem e Nino se vê como o único que pode salvar seus tios do encanto da malvada Losângela.

A nova trama cria um universo mágico e envolvente. Em meio a grandiosos e belos cenários, Cao Hamburguer deu vida à história de uma peculiar família feiticeira que, com o passar dos anos, tem de enfrentar pessoas más e interesseiras como Losângela, além dos especuladores imobiliários Abobrinha (Pascoal da Conceição) e Rato (Matheus Nachtergale).

Crítica

UM BOM EXEMPLO ISOLADO, por Neusa Barbosa

Inserido numa tradição cinematográfica como a brasileira, que sempre dedicou restrito espaço aos filmes infanto-juvenis, Castelo Rá-Tim-Bum, o filme teve de inventar o próprio caminho. Pisando nas próprias pegadas, o diretor Cao Hamburger partiu da série de sucesso, criada por ele e Flávio de Souza nos anos 1990 e que igualmente marcou época, mas infelizmente não fez escola.

A inexperiência de Hamburger em longa-metragem — foi este o seu primeiro — não constituiu obstáculo para que se lançasse à produção do projeto com a ambição compatível. Dezenas de versões de um roteiro assinado por seis colaboradores — além do diretor —, seis meses de pré-produção, uma equipe de 685 artistas e técnicos e um orçamento de R$ 7,5 milhões garantiram uma estrutura narrativa e visual sólida e atraente.

A seriedade com que se tratou aspectos como escolha de atores — incluindo a ousadia de trocar o protagonista da série de TV, Cássio Scapin, por um garoto desconhecido, Diegho Kozievitch —, além de cenários, figurinos, maquiagem, bonecos, efeitos especiais, some trilha sonora, estendeu-se ao compromisso de manter a história antenada a um sentimento infantil que trafega na fascinação pela descoberta e foge do banal como o diabo da cruz.

O contraste entre a estranheza do mundo bruxo, governado por feitiços, e a suposta normalidade da realidade exterior sustentam o humor sutil, extraído de situações como o desejo inusitado do feiticeirinho Nino de estudar numa escola comum e tomar um prosaico café-com-leite.

Bebendo em referências pop como as séries de TV A família Addams e Os monstros, e antecipando a febre Harry Potter— que invadiria as livrarias e telas em escala planetária nos anos 2000 —, o enredo busca também abrasileirar essas influências. Um bom exemplo está na dupla de apatetados vilões Rato (Matheus Nachtergaele) e Dr. Abobrinha (Pascoal da Conceição), herdeiros dos comediantes das chanchadas dos anos 1940 e 1950, como Oscarito e Grande Otelo.

Ancorada na contemporaneidade, que acirra o contraste coma antiguidade dos feiticeiros, a história costura organicamente referências ao contexto urbano. Mais de uma vez enxerga-se o entorno de prédios e vias expressas de São Paulo e insinua-se a especulação imobiliária, que é a motivação da aliança entre Abobrinha e a bruxa Losângela (Marieta Severo) — uma vilã histriônica descendente direta da Carlota Joaquina, personagem que interpretou no filme iniciador da Retomada, Carlota Joaquina — Princesa do Brasil.

Sendo esta ou não sua intenção, Cao Hamburger fez o cinema anti-Xuxa e Os Trapalhões, em um exemplo que poderia pavimentar uma nova estrada para o cinema brasileiro infantil de qualidade. Entretanto, como isso custa caro, continuam a faltar produtores nacionais para projetos mais sofisticados como este.

Tal como no enredo do filme, parece que só a cada 400 anos um novo alinhamento dos planetas permite que surja no Brasil um filme infantil sem vergonha de assumir-se como tal e que respeite a inteligência desse público mirim, numeroso e quase sempre órfão de boas opções, tanto em cinema quanto na TV.

Trailer

Ficha Técnica

Direção: Cao Hamburger
Roteiro: Argumento e Roteiro Final: Cao Hamburger / Colaboradores do roteiro: Anna Muylaert, José Rubens Chassereaux, José de Carvalho, João Emanuel de Carvalho, Fernando Bonassi, Victor Navas
Elenco: Marieta Severo, Rosi Campos, Sergio Mamberti, Diegho Kozievith, Pascoal da Conceição, Mayara Constantino, Leandro Léo
Produtora: AF CINEMA E VIDEO LTA. / CESSIONARIA: POLITHEAMA E FILMES LTDA.
Produção Executiva: Van Fresnot
Direção de Produção: Caio Gullane e Fabiano Gullane
Direção de Fotografia: Marcelo Durst
Fotografia de Cena: Werington Kermes
Montagem: Michael Ruman
Direção de Arte: Clovis Bueno e Vera Hamburger
Figurino: Verônica Julian
Maquiagem e Cabelo: Fabio Namatame
Técnico de Som: Romeu Quinto
Edição de Som: Mirian Biderman
Trilha Original: André Abujamra e Lulu Camargo

Sobre a trilha:

“ÓPERA AREPÓ” com a participação de Rosi Campos s Sérgio Mamberti (de André Abujamra) “ESTRANHO, NÃO, DIFERENTE” por Karnak com a participação do elenco infantil do filme (de André Abujamra e Mauricio Pereira) “AMIGOS NORMAIS” por Karnak com a participação do elenco infantil do filme (de André Abujamra e Paulinho Moska) “MAU,FEIO,SUJO” com a participação de Zafrica Brasil (de André Abujamra) O Karnak é Bateria Kuki Stolarsky Baixo Sérgio Bartolo Guitarras Edu Cabello e André Abujamra Teclado Lulu Camargo Trumpete Marcos Bowie Sax Hugo Hori

Participação em festivais e prêmios:

·The Chicago International Childrens Film Festival, 2000,
·Associação de Críticos de Arte de São Paulo, 2000.
·Carrousel International du Film de Rimouski – Quebec, Canadá, 2001.
·Sprockets Toronto International Film Festival for children, 2000.
·I Mostra Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis, 2002.
·Grande Prêmio Cinema Brasil, Melhor Direção de Arte

Prêmios: ·The Chicago International Childrens Film Festival, 2000, Melhor Filme Internacional
·Associação de Críticos de Arte de São Paulo, 2000. Melhor Filme para Criança
·Carrousel International du Film de Rimouski – Quebec, Canadá, 2001. Melhor Filme
·Sprockets Toronto International Film Festival for children, 2000. Melhor Filme
·I Mostra Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis, 2002. Melhor Filme
·Grande Prêmio Cinema Brasil, Melhor Direção de Arte

fonte: Programadora Brasil

Houve Uma Vez Dois Verões e O Diário Aberto de R.

março 15, 2010

Os filmes da próxima sessão do Benedita Cineclube (sáb, 20/3, 16h) são Houve Uma Vez Dois Verões, e O Diário Aberto de R.

Houve Uma Vez Dois Verões é o longa-metragem de estréia de Jorge Furtado, cineasta gaúcho que além de vários curtas de destaque nos anos 80 e 90, dirigiu também O Homem Que Copiava (2003), Meu Tio Matou Um Cara (2004) e Saneamento Básico, o filme (2007).

Assista no site porta curtas o seu curta-metragem mais premiado

Ilha das Flores, Jorge Furtado, Doc/Exp, 1989, 13 min

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=647&Exib=1

***

Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado

BRASIL – RS, 2002, ficção, 75 min. – classificação 12 anos

SINOPSE

Ele é um rapaz ingênuo em busca do primeiro amor. Ela está guardando dinheiro para viajar para a Austrália.

Juntos, eles vão viver uma grande paixão. Se você acredita na força do destino, no poder do amor e nas sinopses dos filmes, vai ter algumas surpresas.

Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Empresa(s) Co-produtora(s): Casa de Cinema de Porto Alegre
Produção Executiva: Luciana Tomasi e Eleonora Goulart
Direção de Produção: Marco Baioto e Débora Peters
Direção Fotografia: Alex Sernambi
Montagem/Edição: Giba Assis Brasil
Direção de Arte: Pierre Olivè
Figurino: Rô Cortinhas
Técnico de Som Direto: Cristiano Scherer
Edição Som: Cristiano Scherer
Mixagem: Luiz Adelmo
Trilha Musical: Sim
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Trilha Musical: Leo Henkin

***

Caetano Gotardo é um jovem cineasta paulista. Entre este e outros trabalhos, pode-se destacar o curta Areia, por ter sido exibido na abertura da Semana da Crítica/Festival de Cannes em 2008.

O Diário Aberto de R., de Caetano Gotardo

dir. Caetano Gotardo, BRASIL – SP, 2005, ficção, 14 min. – classificação 10 anos.

SINOPSE

Rafael dorme. Rafael espera. Rafael abraça. Rafael deita. Rafael chora.

Direção: Caetano Gotardo
Roteiro: Caetano Gotardo
Elenco: Fábio Lucindo, Marco Pigossi, Thays Alves, Gustavo Nobre, Lilian Blanc
Produção Executiva: Marco Dutra
Direção de Produção: Marco Dutra
Direção Fotografia: Chica San Martin
Fotografia de Cena: Não
Direção de Arte: Milena Durante
Figurino: Milena Durante
Técnico de Som Direto: Daniel Turini
Sound Designer: Daniel Turini
Trilha Musical: Não
Trilha Original: Não
Descrições das Trilhas: Robert Schumann Interprete: Marco Dutra

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sobre a sessão de 20/3

CRÍTICA

CORAÇÕES JOVENS E TRANQÜILOS, por Rodrigo de Oliveira

Os adolescentes no centro de Houve uma vez dois verões e O diário aberto de R. dividem uma mesma crença. E faz tanto sentido que sejam justo adolescentes, todos eles a um passo daquela experiência definitiva que torna a infância mais distante e a vida adulta tão inevitavelmente mais próxima. Não só Chico e Caio, os dois protagonistas, mas também seus diretores, Jorge Furtado e Caetano Gotardo, parecem acreditar nessa mesma coisa, e devotam seus filmes a defendê-la. Isso que só a sinceridade de quem está vivendo tudo pela primeira vez pode redimir de qualquer ridículo, em tempos tão descrentes como os atuais. Temos aqui dois filmes de amor, e que dele fazem sua profissão de fé.

A ameaça da desafeição, esse mal tão contemporâneo, não poderia passar ao largo. Ela é, em graus diferentes, a grande força-motora dos filmes. Em O diário aberto de R., estamos lidando com a distância mantida entre dois amigos colegiais, capazes de demonstrar carinho num dia, e no seguinte se tratarem com um quase repúdio. Houve uma vez dois verões é mais explícito, e planta no meio de seu romance uma figura anti-romântica por excelência, aquela que troca sonhos de felicidade por dinheiro, conseguido com uma falsa gravidez. Roza agrega ao filme valores insuspeitos nesta que parecia a história de amadurecimento de Chico através de um primeiro amor. Onde havia a lua encantadoramente fake, iluminando a primeira transa na praia, sobra a mercantilização do sentimento. A resposta a esses revezes precisa ter força igual ou maior. Aí entram esses dois diretores apaixonados: por seus personagens e pela própria idéia da resistência do sentimento.

Talvez não exista paralelo no cinema brasileiro de um filme que tenha sabido captar tão bem os humores da adolescência como Houve uma vez dois verões. Vai ver porque não capte mesmo – e sob essa idéia de se conseguir “pescar a juventude” se tenham feito tantos filmes sobre seu protótipo, cheias de clichês emocionais e gírias de almanaque. Furtado faz seu primeiro longa-metragem deixar de ser veículo e passar a ser, ele próprio, uma manifestação da juventude. Isso está expresso desde a escolha do suporte de gravação, o vídeo digital (mídia ainda menina em relação à velha película). Mais que isso, na incorporação do repertório visual dos fliperamas e pinballs, que dão o tom desse jogo de erros-e-acertos em que se transforma a jornada de Chico atrás da garota que lhe extorquiu, mas por quem não consegue evitar “gostar um monte”. Até mesmo a belíssima trilha sonora do filme parece vir dos temas desses joguinhos, dando um tratamento harmônico a sua habitual barulheira.

Tudo ali está armado para que os jovens possam acontecer enquanto tais, sem qualquer freio a seu despertar para a vida. O curta-metragem do igualmente jovem Caetano Gotardo abriga uma ambigüidade bastante curiosa neste sentido, equilibrando a experiência íntima de um diário que é, no entanto, mantido abertamente por Caio, com suas confidências sendo escritas na carteira da sala de aula, ao alcance de qualquer um. Era disso, no fundo, que os dois filmes queriam se impregnar: dessa exposição, desse peito-aberto da juventude. E assim eles se mostram, como no longo e tateante diálogo entre Chico e seu melhor amigo, logo após a primeira transa, tão comicamente honesto, ou ainda quando Caio nos revela o sonho em que ouvia finalmente de Rafael que a recíproca de sua paixão era verdadeira. O final feliz não é mais do que uma retribuição a tamanha entrega. Furtado reúne o casal romântico. Gotardo não precisa (e nem poderia) chegar a tanto. Mas crava na carteira escolar, a golpes de compasso, uma lição válida para os dois filmes: o amor permanente, profundo, que não se apaga com borracha.

* Rodrigo de Oliveira é crítico de cinema, redator e co-editor da Revista Contracampo e colunista do jornal capixaba Século Diário.

(fonte: Programadora Brasil)

O Mágico de Oz, Victor Fleming, EUA, 1939

março 10, 2010

No próximo sábado, dia 13, às 16h, O MÁGICO DE OZ  será exibido no Benedita Cineclube.

Para crianças e adultos!

Dirigido por Victor Fleming, o clássico “O Mágico de Oz” de 1939 é a mais famosa das adaptações para o cinema dos livros da série “Terra de Oz”, do norte-americano L. Frank Baum, que escreveu os primeiros 14 livros da série. Ruth Plumly Thompson, publicou os próximos 19 livros e outros 7 foram escritos por diversos autores que são denominados como os “Famosos Quarenta”, a maioria desses livros foram publicados por Reilly & Britton (posteriormente Reilly e Lee).

“The Wonderful Wizard of Oz” é o primeiro livro da série que relata as aventuras da menina Dorothy Gale, do Kansas, na fantástica Terra de Oz.

capa original do livro publicado em 1900, que deu origem ao filme "O Mágico de Oz".

SINOPSE

A garota Dorothy vive no Kansas e é levada por um tornado até a mágica Terra de Oz, onde faz amizade com um espantalho, um homem de lata e um leão covarde. Juntos, eles vão procurar o mágico que pode realizar seus desejos.

GALERIA DE CARTAZES

FICHA TÉCNICA

título original: The Wizard of Oz

gênero:Musical

duração:01 hs 41 min

ano de lançamento:1939

estúdio:Metro-Goldwyn-Mayer

distribuidora:Metro-Goldwyn-Mayer / Warner Bros.

direção: Victor Fleming

roteiro:Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar allan Woolf, baseado em livro de L. Frank Baum

produção:Mervyn LeRoy

música:Harold Arlen

fotografia:Harold Rosson

direção de arte:Cedric Gibbons

figurino:Edwin B. Willis

edição:Blanche Sewell

ELENCO

Judy Garland (Dorothy Gale)

Frank Morgan (Prof. Marvel / Mágico de Oz / Guarda de Oz / Porteiro da Cidade de Esmeraldas)

Ray Bolger (Hunk / Espantalho)

Bert Lahr (Zeke / Leão)

Jack Haley (Hickory / Homem de Lata)

Billie Burke (Glinda)

Margaret Hamilton (Srta. Gulch / Bruxa Má do Oeste)

Charley Grapewin (Tio Henry)

Pat Walshe (Nikko)

Clara Blandick (Tia Em)

primeira sessão: Cinema, Aspirinas e Urubus

março 1, 2010

Cinema, Aspirinas e Urubus foi escolhido como filme de estréia do Benedita Cineclube, e será exibido no próximo sábado, 6 de março, às 16h. Aqui você encontra mais informações sobre o filme e sobre outros trabalhos do diretor Marcelo Gomes.


Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes
BRASIL – PB/PE, 2005, ficção, 101 min.

O longa-metragem recebeu mais de 40 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Teve sua estréia mundial no Festival de Cannes/França, na mostra “Um Certo Olhar”, onde recebeu o “Prêmio da Educação Nacional”, criado pelo Ministério da Educação Nacional, que prevê a distribuição do filme, através de um DVD pedagógico, para aproximadamente um milhão de estudantes franceses.

Sinopse:

1942. No meio do sertão nordestino, dois homens se encontram: Johann, um alemão que fugiu da Guerra, e Ranulpho, um brasileiro que quer escapar da seca que assola a região. Viajando de povoado em povoado, eles exibem filmes para pessoas que já haviam conhecido o cinema, para vender um remédio “milagroso”. Continuando a cruzar as estradas empoeiradas de um sertão arcaico, eles buscam novos horizontes em suas vidas. Nesta jornada, os dois aprendem a respeitar as diferenças e surge entre eles uma amizade incomum, mas que marcará suas vidas para sempre.

Ficha Técnica (fonte: Programadora Brasil)

Direção: Marcelo Gomes

Roteiro: Marcelo Gomes, Paulo Caldas, Karim Aïnouz
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, Hermila Guedes, Oswaldo Mil, Fabiana Pirro, Verônica Cavalcanti, Fernando Teixeira, Zezita Matos, Paula Francinete, Daniela Câmera, Irandhir Santos, Nanego Lira, Cláudio Nascimento
Empresa(s) Co-produtora(s): REC Produtores Associados Ltda
Produção Executiva: Maria Ionescu E João Vieira Jr.
Direção de Produção: Dedete Parente Costa
Direção Fotografia: Mauro Pineiro JR., ABC
Montagem/Edição: Karen Harley
Direção de Arte: Marcos Pedroso
Figurino: Beto Normal
Técnico de Som Direto: Márcio Câmara
Edição Som: Beto Ferraz
Descrições das Trilhas: Tomaz Alves Souza

Trailer

Crítica

por Eduardo Valente na Contracampo – Revista de Cinema

A melhor maneira de descrever seu impacto é afirmar que Cinema, aspirinas e urubus está fadado a ser um filme-paradigma no cinema brasileiro recente. Divisor de águas a partir do qual uma determinada condescendência não pode mais ser permitida, o filme de estréia de Marcelo Gomes em longa-metragem é um corpo absolutamente estranho e sem par no cinema nacional atual. Na verdade, ele flutua sobre este cinema como um espectro que amedronta pela capacidade de pôr às claras aquilo que tentava ser empurrado para baixo do tapete. É filme que não só afirma suas próprias qualidades, como ao fazê-lo revela aos outros suas insuficiências. Isso se dá, acima de tudo, por uma aposta tocante do filme nas possibilidades da ficção cinematográfica, da fabulação. A história de Johann e Ranulpho, espécie de buddy movie pelas estradas do sertão, comove exatamente pelo fato de seu registro apostar tão fortemente na verdade daquela construção ficcional. “Verdade” entendida aqui nem como verossimilhança, nem como “naturalismo”, e sim pelo sentido que realmente importa numa fabulação: a crença do próprio narrador (o cineasta) naquilo que nos narra. O filme acredita, o tempo todo, na verdade daqueles dois homens e no trajeto deles, e por isso mesmo nos faz aceitar o seu relato desde cedo.

continue lendo essa crítica no seu site original:

http://www.contracampo.com.br/75/cinemaaspirinas.htm

Mais impressões sobre o filme no site Cineclick por Angélica Brito:

http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/cinema-aspirinas-e-urubus/id/1128

A Revista Cinética entrevistou o diretor Marcelo Gomes sobre seus projetos após Cinema, Aspirinas e Urubus e os processos de produção (setembro/08).

http://www.revistacinetica.com.br/entmarcelogomes.htm

“Viajo porque preciso, volto porque te amo” é o trabalho mais recente de Marcelo Gomes, em parceria com Karim Aïnouz. Leia sobre:

Site Omelete, por Érico Borgo

“(…) por um lado é um típico filme-de-estrada… acompanha uma jornada tanto física quanto emocional. Por outro, é absolutamente inovador. (…)”

na íntegra: http://www.omelete.com.br/cine/100022976/Critica__Viajo_Porque_Preciso__Volto_Porque_Te_Amo.aspx

Jornal O Globo, texto do leitor Vinícius Esperança Lopes

“(…)”Viajo” é genial. Um sopro de vida. É ligar o rádio aleatoriamente e encontrar a música favorita. Saímos machucados, tontos, apaixonados…

na íntegra: http://oglobo.globo.com/cultura/festivaldoRio2009/mat/2009/09/28/eu-bonequinho-assistiu-viajo-porque-preciso-volto-porque-te-amo-767811067.asp